Eu costumo dizer que não existe show “no papo”. Pode a casa estar cheia, os ingressos esgotados, tudo a favor, mas quem me olhar nos camarins talvez me veja quieto, com ares de cansado (e à s vezes estou mesmo), quase melancólico. Não se trata de um ritual, mas eu realmente busco ficar na minha antes. Falar somente o essencial e pensar em como fazer com que o público presente foque o olhar e a atenção para um único lugar assim que o show começa.
Clube Jaó, um público e tanto para ver-nos, expectativa grande. Quinze minutos pra pisarmos no palco, me informam que o telão que havÃamos trazido para apresentar nossos convidados do DVD, para o VJ mostrar as novidades, simplesmente não funcionava com nosso equipamento, somente com o computador do próprio telão. O jeito foi usar o que o telão temperamental tinha a oferecer. Olhando os videos que postaram no YouTube, devo dizer que não estavam ruins, mas foi difÃcil fazer o show com uma espécie de grilo falante, aquele do Pinóquio, dizendo “que show lindo, ah se o telão estivesse funcionando a contento!”. Tinha vezes em que dava vontade de me dar uma martelada na cabeça. Foco, Bruno, foco! Matando o maldito grilo pude me concentrar no show que foi ficando cada vez mais bonito. Goiânia bem que poderia ser palco de um DVD da gente no futuro. Pena que não basta apenas querer, tem que ter muitas outras condições para isso. Outras cidades também moram no nosso coração também e poderiam dar um bom palco para uma gravação: Teresina, Belo Horizonte, Natal, Belém, João Pessoa, Salvador, são tantas que espero poder ter a chance e condição de gravar em cada lugar do paÃs.
O show nesta noite ainda contou com nosso querido Philippe Seabra, cantor da Plebe Rude, que junto conosco fez do bis um momento especialÃssimo com Até Quando Esperar e Zé Ninguém, duas músicas de protesto, cada uma com um enfoque, mas ambas com um desejo até hoje não correspondido de que elas no futuro sejam lembradas como algo “nada a ver com o presente”. Após o encerramento, estava eu atendendo os fãs quando alguém me fala do sumiço da guitarra do Coelho. Como assim?
Seguindo a máxima de que um acidente aéreo nunca acontece por um único motivo, vimos que os problemas que geraram o desaparecimento da guitarra tinha a ver com falhas na segurança, organização e até de nossa equipe. Embora tivéssemos tomado todas as precauções, ninguém achou-a. Um gosto amargo após um show tão legal. De manhã cedo, coloquei em blogs, fotologs, twitter, orkut, o aviso, na esperança de alguém saber do paradeiro. Foi então que na segunda feira, recebo um email de uma pessoa representando quem havia levado a guitarra. Dizia que o roubo se deveu por total irresponsabilidade de quem havia bebido muito. Caramba! Fomos roubados por um bebum? As falhas então eram mais graves! Coelho entrou em contato com este representante e juntos chegaram a um acordo. A guitarra foi devolvida numa delegacia. Nosso roadie foi acionado para ir lá e pega-la. Somente com ela em casa é que Coelho decidiu escrever sobre o assunto.
Agradeço muito, mesmo, as mensagens que recebi! Tenho muito carinho por todas as minhas poucas guitarras, e teria sido muito chato perder uma delas.
Para a galera de Goiânia que se disse envergonhada por ter sido lá o ocorrido, quero dizer que isso poderia acontecer em qualquer lugar, e que nada muda todo o carinho que temos por Goiânia, onde somos maravilhosamente bem recebidos.
Um beijo e muito obrigado,
Coelho