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Fechando as férias em Limoeiro

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

O projeto Férias no Ceará terminou neste domingo. Tocamos em Limoeiro do Norte, onde já havia feito um show, há alguns anos. Um show tão legal que lembro pouca coisa pois após a apresentação tomei uma cachaça que me ofereceram e deletei tudo da memória. Anotem aí caso queiram se esquecer: Sapupara.
A viagem foi tranquila e passamos o dia no hotel, já que o calor era de matar. O hotel era ao lado da praça onde nos apresentaríamos. Tudo bem tranqüilo. Nosso único problema foi para jantar. Indicaram a pizzaria da praça mas seria impossível comer lá com a quantidade de fãs pedindo fotos. Decidimos ir para outro lugar. A van pegou a estrada e parou em frente a uma churrascaria mas tinha um grupo tocando pagode tão alto que a gente foi taxativo, vamos embora! Aqui também não dá! Fugimos então para uma pizzaria mais longe ainda. Quieta, pouca gente e uma TV ligada passando um DVD. O nosso! Rimos muito e ficamos assistindo um pouco enquanto a pizza não vinha. É raro vermos nosso próprio DVD. Só em ocasiões como esta mesmo!
Voltamos pro hotel onde então nos preparamos para o show. Praça lotada . Convidamos o Guto, do Soul Pop, banda que abriu a noite, para cantar Astronauta de Mármore, música que ele já havia cantado no show dele. As bandas do Ceará lutam muito por um espaço e foi legal fazermos um encontro como este. Entretanto, logo na quinta música, meu pé esquerdo volta a doer. Caramba! E não foi pouco. Chegava a mancar. Foi então que tive uma idéia: tirei o sapato. E não é que a dor parou? Até onde eu percebi, o tênis que estou usando deve forçar um músculo do meu pé e isto está me prejudicando. Fiz o resto do show de meia como se nada tivesse acontecido. Alguns fãs me ofereceram uma garrafa de Sapupara novamente mas não foi preciso. Acho que virei garoto propaganda ;-) Em tempo, a cachaça é muito forte. prefiro outras, com certeza. Desta vez, foi só um gole, para que eu pudesse não me esquecer de noite como esta. E com certeza será impossível esquecer!
Obrigado, Ceará, por todos os bons momentos neste fim de semana.

Fortaleza quase dando a luz no palco!

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Ao chegarmos em Fortaleza, tomei um café da manhã e apaguei até as duas da tarde. Almoçamos e fomos para um longo ensaio no Parque do Cocó onde tocamos músicas que estavam fora do repertório, como Tainted Love e Infinita Highway. Decidiríamos mais tarde quais entrariam. O tempo passou rapidamente para nós e logo estávamos de volta ao parque, desta vez para atacar.
A multidão presente era ainda maior que a do ano passado. Um show que foi ótimo e que agora nos cobrava um melhor ainda. Na primeira fila, fã-clubes uniformizados e cheios de mensagens carinhosas.
Tão logo pisei no palco, senti o pé esquerdo. Não sabia o que era, parecia uma torção, mas apenas incomodava. Com o passar do tempo, o incômodo foi aumentando. O parque também me impedia, pela sua natureza geográfica, de pular no meio da galera. Por ser um anfiteatro natural, as barreiras cederiam rapidamente, como numa queda de dominós, se eu me aventurasse apenas em descer. A dor no pé aumentava mas o show estava tão bom que fui me anestesiando. Decidi chamar ao palco uma menina que é fã do Biquini há muitos anos, membro do fã clube Dane-se Tudo e doidinha de pedra. Ela havia me pedido para cantar No Mundo da Lua. Não é de meu feitio chamar ao palco quem pede para cantar, ainda mais estando nos bastidores. Escolho sempre quem está na frente do palco e cantando apenas. Mas abri esta exceção: ela estava grávida de sete meses. Pediu-me por saber que ficaria um bom tempo sem ir ao show da banda e, afinal, nunca antes eu havia chamado alguém assim no palco. E lá foi ela, a Ceiça, feliz da vida com sua barriga a dois dias da ultra para saber o sexo da criança. Estava radiante e brinquei: acho que este já vai nascer fã da banda ;-) . No bis, tocamos Infinita Highway e Tempos Modernos. Não me lembro da galera de Fortaleza ter nos visto toca-las antes e foi um momento muito legal. É sabido o grande número de fãs de EngHaw na cidade. Cantaram lindamente.
No fim do show, nosso saxofonista e baixista pularam para tocar próximo à grade. O pobre baixista caiu de mal jeito e ficou lá estatelado no chão. Coitado! Cada um com a sua loucura! Felizmente, não foi nada. Depois do show, não sentia mais a dor no pé, acho que fui curado com a energia da galera! E lá fiquei nos camarins atendendo um sem fim de gente. E bota gente nisso! Fiquei quase duas horas antes de pegar a van de volta ao hotel. Em Abril, voltaremos ao Mucuripe Club, já mortos de saudades!

ps: soube pelos fãs: Ceiça está esperando um menino. Parabéns!

Recife tal como sonhávamos

segunda-feira, agosto 24th, 2009

Há muitos anos que queríamos fazer um show como este em Recife. Tivemos outras boas oportunidades mas nem sempre conseguimos colher os resultados. O primeiro festival de verão que fizemos foi debaixo de chuva torrencial, o segundo foi com o dia nascendo. Ambos foram bons mas não deu para apresentar o Biquini a Recife como queríamos. Eis que veio o show desta sexta feira, com o Capital Inicial e festejando os 36 anos da Transamérica. Encontramos com todos no hotel. Tem sido muito engraçado. Ao invés de falarmos sobre guitarras, shows, grupos, etc, o foco do papo são os filhos, cada passando por uma fase muito especial. Histórias de pediatras, comportamento da gurizada, se você nos visse, não acreditaria. A viagem nos torna todos, sem exceção, em papais saudosos e corujas.
Na hora do show, fizemos a abertura, pois o Capital veio com toda sua infra-estrutura de palco e seria impossível desmontar tudo e deixar para nós tocarmos em pouco tempo. Se nos faltou o cenário e telão, abrimos a comporta da saudade e apresentamos a banda a um público que, em sua maioria, ou nunca tinha nos assistido ou há tempos não nos via. Vale ressaltar que vimos fãs de outros estados, como a Paraíba e Alagoas, sem contar com os que vieram do interior. Obrigado, pessoal. Foi um show daqueles que a gente comemorou muito ao subir pro camarim. A partir daí, ficamos pra curtir o show do Capital. Combinamos um encontro no bis e, bem soltos, nos divertimos com Música Urbana, a canção deles que regravamos no 80 volume 2. Sim, estávamos em dívida com Recife, e espero que este show seja um divisor de águas para o Biquini e Pernambuco.

No interior de Pernambuco

domingo, julho 12th, 2009

Acordar às seis, sair às seis e meia, pegar um vôo com duas conexões para chegar em Petrolina-PE e, de lá, mais cinco horas até Serra Talhada. Chegamos às nove da noite! Em duas horas apenas, equipamento montado, e nós prontos para ir ao palco. Tão intenso que me pergunto para onde vai o cansaço quando o show começa. Ele não some, apenas se distrai, dá uma volta enquanto o show rola. O som no palco estava complicado. Os retornos, aquelas caixas pretas que ficam a minha frente, mal falavam. Nelas estava escrito RALPH SOM. Pedi um papel e uma caneta para colocar no lugar: HALF-SOM!!!
No entanto, isto não atrapalhou uma festa sensacional. A arena não estava toda lotada, mas nos recebeu como o carinho de ‘casa cheia’. E isto foi o que bastou para nós. Ao terminarmos o show, atendemos os fãs no camarim e rumamos ao hotel para um rápido pit-stop. Tomamos banho e entramos no ônibus madrugada adentro para Petrolina, mas o hotel era em Juazeiro. Descansei depois de um farto café da manhã. Foi tudo bem tranquilo. O evento da noite era o Moto Chico e dá-lhe gente com camiseta de moto, jaqueta de couro, pins e bottons dos mais variados. A música do Biquíni parece combinar com esta galera que, assim como vento ventania, levam a vida sem destino. Cantaram e pularam da primeira à última música. É raro tocarmos Sobradinho, canção que gravamos no Barzinho e Violão em 2001, mas estando a poucos quilômetros da barragem, é impossível não se envolver. A galera também ali sabe a letra de cor e tornou este um dos momentos mais bonitos do show. Obrigado, pessoal! A turma toda vai ficar dois dias na cidade quando então seguirá para Crato-CE. Até lá prometeram visitar a barragem, as vinícolas da região e aproveitar o domingo e segunda como nunca. Eu sou o único que vai voltar para curtir o baby. No próximo post, comento como foram os dias livres aqui no Rio São Francisco!

Ps: na ida, encontramos no avião com Alexandre Pires. Fui lá para lembrar-lhe que, dez anos atrás, ele apresentou um programa da Xuxa, enquanto ela esteve de licença maternidade. Tocamos Janaína e ele foi muito carinhoso conosco. Importante frisar isto pois os estilos musicais não nos fazem inimigos uns dos outros. Como sempre falei, nada tenho contra os estilos, apenas contra o mau gosto.

Gravatá e a nova ordem

sábado, abril 25th, 2009

A Páscoa veio para nós num show na sexta-feira. Pela primeira vez tocaríamos em Gravatá, no interior de Pernambuco. A viagem foi tranquila e ficamos hospedados em Recife, a uma hora e meia da cidade. Depois de muitos anos, decidimos alterar a ordem do show significativamente. Fazer uma ordem de show é tão difícil quanto escalar a seleção brasileira e sempre tem alguém dizendo que “faltou tocar esta”. É uma questão quase matemática, onde “a ordem dos fatores” altera o produto. O show precisa ter uma fluência ou, como já disse aqui antes, foco. Ensaiamos várias idéias até chegar na ordem que abriria o show em Gravatá. Seria nossa primeira experiência. Faltando cinco minutos para começarmos, um pé d’água caiu na multidão. Pensei na hora, “começar hoje com Chove Chuva seria bom”, mas decidimos não fazer alterações de última hora. A galera não arredou o pé e ali ficou, debaixo de chuva cantando todas as canções. A música de Benjor acabou sendo nossa última, mas a chuva não havia parado e fez a festa do mesmo jeito, celebrando o Biquíni, a chuva…e alguns resfriados, com certeza! De todos os estados do Nordeste, Pernambuco está se revelando somente agora para nós. Devemos um show pra valer em Recife mas cidades como Garanhuns e agora Gravatá estão transformando cada show num acontecimento que traz gente de tudo quanto é canto. Sinto que ainda teremos muitas alegrias por lá.

Campina Grande e Garanhuns:

quinta-feira, junho 14th, 2007

Eu me lembro que na década de oitenta, quando começamos a carreira, fomos tocar em Campina Grande, interior da Paraiba. Ao passarmos pela cidade, vimos uma enorme casa de shows. Um amigo meu disse que ainda levaria um tempo para nós tocarmos em uma casa tão grande. E levou! Vinte anos depois, chegamos na cidade para finalmente tocar na Spazio. O show foi em pleno feriado, e ficamos receosos que as pessoas tivessem aproveitado para viajar. E viajaram..de João Pessoa para cá! Isso sem contar a galera de Campina em peso! Com a casa cheia, o show nos arrepiou desde a primeira música. Nosso saxofonista não pode ir e mandou um substituto. Cassio não somente deu conta do recado como ainda improvisou solos e fez a tecnica da banda se arrepiar. A brincadeira depois do show era mandar mensagens pro celular do nosso saxofonista dizendo “Adeus!”. Tudo brincadeira, é claro.Voltado ao show, eu decidi pular no meio do público e chamei um cara para ficar sobre os ombros dele. Graças a Deus, era um cara bem forte para aguentar meus oitenta e quatro quilos e segurar a galera que o empurrava de todos os lados! Por instantes, achei que iria cair. Tirei os sapatos antes de pular na galera. Já as meias….espero que a esta altura do campeonato estejam lavadas!
Seguimos direto para Garanhuns. Todos nos disseram: vai fazer frio! Ah, em Pernambuco? Claro que não! Mas fomos recebidos com um termômetro marcando 16 graus!!!! A Suiça do Nordeste tem um clima realmente diferente do que você espera encontrar no sertão. Fomos fazer o encerramento de um festival de música na cidade. Todos sabem o quanto protestamos no palco sobre deputados que não fazem nada pelo país, mas tive desta vez de elogiar o evento e seu idealizador, um deputado federal que acredita na cultura brasileira, organizando um festival só de canções inéditas e compositores, trazendo inscritos de mais de vinte estados de norte a sul do país. A festa foi maravilhosa e a praça lotada nos recebeu com enorme carinho e aplauso. Os dois shows no sertão nordestino nos emocionaram e marcaram muito nossa etapa da viagem.

Ilusões e Realidades:

segunda-feira, dezembro 18th, 2006

vejam como são as coisas. Era para nós tocarmos em Porto de Galinhas numa festa fechada da TIM. Imagine só: tocar num local maravilhoso como aquele! A gente logo pensou em viajar com a família, passar uns dias por lá, quem sabe? Não foi bem assim. Primeiro, o vôo atrasa. Foi mais um daqueles dias de caos nos aeroportos. Sobrou pra nós, que chegamos bem no meio da tarde. Foi então que descobrimos que nosso hotel não era em Porto de Galinhas e sim no Recife. Pensamos: “vamos de qualquer jeito pra lá”, mas não havia nenhum suporte e não daria tempo para voltar pra Recife e retornar ao show se fôssemos direto pra lá.O jeito foi ficar no hotel, que era ótimo, mas vocês hão de concordar que havia uma certa frustração no ar. De todo modo, não estávamos lá para curtir férias e sim para tocar né? Só que ao chegar no hotel, um ladrilho mal colocado virou uma lâmina perigosa que acabou rasgando o pé de Patrick logo no saguão. O jeito foi fazer um curativo e se preparar para não pular muito a noite. Veio então a ida ao tão famoso Porto de Galinhas. O hotel era em Muro Alto em Ipojuca, não em Porto de Galinhas! Ah, mas era um ótimo hotel! Só que tivemos de ficar confinados em uma sala pois a atração do evento era uma surpresa! Ou seja, certos shows para nós geram expectativas e ilusões muito loucas!
Agora, falando do show, digo que foi um barato! Uma festa fechada, pequena para 200 pessoas mas estavam com a energia de um estádio lotado! Especialmente o seu Alberto, funcionário de oitenta anos que tocou fogo no circo, como a gente diz! Rolou de tudo, mosh, eu andando com os scarpins que as mulheres deixaram no palco, uma bagunça boa da melhor qualidade!
Quanto a Porto de Galinhas, um dia nas férias ;-)

Bom dia, Recife! :

segunda-feira, fevereiro 7th, 2005

Participar do Festival de Verão de Recife pela segunda vez foi mais do que importante para o Biquíni, foi inesquecível. Foi o melhor show que fizemos em Pernambuco, um show divertido, daqueles que a gente ficou saboreando por dias após o evento.

Chegamos à cidade na véspera. Encontramos no hotel a galera do Jota Quest indo pro show deles enquanto o Cidade Negra voltava do Cheviote Hall. A viagem tinha sido cansativa, preferimos descansar. O hotel era ótimo, mas não sei por que motivo acabei tendo uma crise de insônia tenebrosa. Fui cedo pro café da manhã e voltei pro quarto pra tentar realmente dormir, acordando somente às 5 da tarde. Estava inquieto. O Biquíni seria o último a tocar e pensei então assistir o Barão Vermelho, voltar pro quarto, me arrumar e sair de novo pro show. Junto com Miguel e Birita, fomos ver Frejat, Peninha, Guto, Rodrigo, Mauricio e Fernando. O Barão é uma super banda e fizeram milhares de pessoas cantarem sucessos de todas as fases da sua carreira, ao passo que ficamos assistindo detalhes sobre a produção, organização e cuidados extras. Funciona como uma troca de figurinhas. Foi tudo muito bom e abriu o apetite para subirmos ao palco. Entretanto, ainda faltavam Ivete, Charlie Brown Jr. e Ira!. Voltamos pro hotel e esperamos nossa hora, mas os shows foram atrasando. Meia hora daqui, quinze minutos dali, muita gente acabou ficando cansada e indo embora.

Ao chegarmos com o Biquíni completo para fazermos nosso show, o Ira! havia apenas começado seu acústico. De cima do palco, nos disseram que devia ter ficado umas dez mil pessoas do total de quarenta que vieram. Depois de tantos shows animados, o show do Ira! parecia fechar com chave de ouro a festa. Um som bem tocado, baladas, canções leves, que mais para se assistir depois disso? Epa! Faltava a gente! Enquanto isso, a produção nos avisava: o show tem que ser curto porque senão não conseguiremos chegar a tempo de pegar o vôo das 6 da manhã e está tudo lotado!!!!

Tocar depois de um show acústico é sempre uma faca de dois gumes. Você bem pode levantar a galera que descansou como pode demorar muito para fazer todos entrarem no pique. Felizmente foi a primeira opção que rolou em uma daquelas empatias sensacionais que não sabemos explicar. Mesmo nós, que estávamos meio sonolentos no camarim, acordamos como se tivéssemos levado um choque de mil voltz e o show correu com uma super energia. Foi diversão a toda prova. Não queríamos mais largar o palco enquanto o azul do céu começava a clarear a cidade. Quem se importava naquele momento com quantas pessoas vieram? Todas que ficaram estavam unidas, lotando qualquer espaço! Já fizemos show para o dobro de gente que não teve metade desta força! E qualidade vai ser sempre melhor que quantidade, o jargão é conhecido mas plenamente sincero!

Ao final do show, estávamos mortos e felizes. Nos despedimos com um enorme Bom Dia, Recife! Ainda deu para atender alguns fãs enquanto a galera desmontava o palco a jato para chegarmos a tempo no aeroporto. Pegamos o avião com alguma dose de sorte. Estava certo que iria dormir no vôo mas a energia do Festival de Verão ainda corria nas veias. Não deu para pregar o olho, e muitos da banda ficaram acordados, mas ninguém reclamou ;-) Valeu, Recife!

“Abigobau” em Recife :

terça-feira, fevereiro 3rd, 2004

A última vez que tocamos no Recife foi em 1992. A bem da verdade, fizemos um show na praia de Boa Viagem no ano passado mas o evento era tão surreal que quase ninguém viu. Abrimos o show de Reginaldo Rossi às nove da noite. O horário era tão ingrato que à nossa frente vimos apenas algumas fãs sexagenárias do grande ídolo brega tomando uma verdadeira porrada de rock no meio dos cabelos brancos. Fiquei com medo de levar uma vaia das velhinhas, mas no fim deu tudo certo. Apenas saí dizendo a mim mesmo que estávamos devendo um show melhor no Recife.

Esta oportunidade veio com o Festival de Verão. O mega evento contava com uma programação extensa, dois palcos e vários artistas. Infelizmente, ao chegarmos, vimos que tudo estava confuso. Os palcos ficavam de frente um pro outro como balizas de um campo de futebol, criando problemas para a produção de palco. A chuva provocou enormes atrasos e às 11 da noite o Cidade Negra ainda estava passando o som. Enquanto isso, tentava dormir no hotel mas não conseguia. Quando finalmente caí no sono, rolou uma entrevista no hotel e ficamos de papo com o pessoal. Aprendemos várias expressões como ‘abigobau’ e guardei a palavra nova ( ‘meio leso’, pelo que me disseram) para ocasião futura.

Sob forte chuva fomos para o Classic Hall, chegamos ao som do Skank. Faltava o Nação Zumbi tocar no nosso palco, depois, no outro, rolaria os Titãs e, enfim, o Biquíni. Foram duas horas de espera e diversos problemas técnicos sendo resolvidos na volta do laço. Felizmente, deu pra passar por cima de todos os entreveros e logo a gente atacava, aproveitando a breve estiagem.

Como o show dos Titãs foi do outro lado e o nosso começou tão logo o deles acabou(para tentar evitar maiores atrasos) começamos tocando para quem estava mais cansado, além de alguns fãs de carteirinha do Biquíni, claro; mas até chegar a turma do agito, vinda lá do palco dos Titãs, o show demorou um pouco para decolar. Foi um show às 4 da matina! Não que isto seja novidade, mas a gente sabia que se não fosse muito pra cima, poderia bater o cansaço na galera. A pedido da produção, reduzimos nossa lista e por isso alguns clássicos ficaram de fora. Fora isto, foi ótimo: desde a participação especial do garoto que subiu no palco para cantar No Mundo da Lua até a chuva que voltou a cair providencialmente em Chove Chuva, coisa de pajé mesmo. Aos berros de “Quero todo mundo abigobau” seguimos com a festa que nos revelaria ainda ótimas surpresas:depois de anos, encontramos nosso ex-empresário Ronaldinho. Ele trabalhou conosco direto entre 86 e 91. Além disso, exercia as funções de produtor na estrada e eventual percussionista, tendo gravado conosco em vários discos. Aproveitamos para nos reencontrarmos no palco também, o que foi maravilhoso. Ronaldinho deu um molho especial em Chove Chuva e Tédio. Inesquecível!

Voltamos para o hotel com o dia nascendo. Dormimos um pouco menos de 3 horas, tomamos café da manhã e seguimos para o aeroporto. Já passava das 8 e Otto estava bravamente tocando por lá. Que festa!!!!

Voltando em dose dupla!:

domingo, janeiro 26th, 2003

O sábado do dia 25 foi dedicado à nossa volta ao estado de Pernambuco, depois de uma ausência de muitos anos. Sempre me perguntam o porquê de não tocarmos em determinadas cidades. A resposta é sempre a mesma, gente: falta de convite, não dos fãs mas dos contratantes. São eles quem fazem as programações. Muitas vezes ficam sem saber se vale a pena trazer algumas bandas que tem muitos fãs, como o Biquini, e preferem optar pelo que está na mídia, estourado nas rádios e TVs. Bem, a verdade é que finalmente voltamos ao Pernambuco para dois shows no mesmo dia. O primeiro foi em Recife, para o Verão Vivo Bandeirantes abrindo o show de Reginaldo Rossi (isto mesmo!). E o segundo foi em Cabo de Santo Agostinho, uma cidade paradisíaca perto de Porto de Galinhas em um show na praia com Arnaldo Antunes e Pato Fu. Chegamos cedo e pudemos aproveitar bastante do dia mergulhando nas àguas lindas das praias de Gaibu e Calhetas.

Em função da correria (teríamos ainda que voltar no primeiro vôo da manhã pro Rio), acabamos tocando bem cedo em Recife (às 9h da noite). O público foi chegando conforme tocávamos. Era engraçado ver as fãs de Reginaldo Rossi, algumas com mais de 60 anos na primeira fila, enquanto tocávamos nosso show. O show foi todo gravado e irá ao ar em Fevereiro, dia 16. Corremos para a outra cidade e num esforço coletivo, conseguimos fechar o festival entrando às 3 da matina. Foi um ótimo show. Estávamos saudosos da galera pernambucana e foi bom voltar em dose dupla. Esta apresentação também foi filmada pela TV Globo Nordeste e deverá ter exibição local, futuramente.

Nem deu tempo de aproveitar a festa depois do show. Tivemos que entrar logo no micro-ônibus e correr para o aeroporto. Zumbis, sem dormir, acabamos encontrando alguns colegas no mesmo estado, como o Kid Abelha que fazia conexão depois de um show em Fortaleza. Foi o tempo de batermos um papo até entrarmos no avião e cada um apagar.