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Cabedelo, Fest Verão e a Coreografia

domingo, fevereiro 7th, 2010

O show no Fest Verão 2010 tinha um sabor diferente para nós. Ele seria filmado pela equipe da TV Globo da Paraíba para o quadro Desafio da Galera, do Fantástico. Para isto, era preciso que fizéssemos uma certa coreografia com o público. No show do Biquini, as pessoas participam muito, pulam, mexem os braços, giram camisetas, são sempre um espetáculo à parte. Não seria difícil criarmos algo para o programa. Decidimos fazer então em Zé Ninguém. Este ano é de eleição, seria bom darmos um recado a todos que acham que se reelegerão, depois de tantas falcatruas. Coreografia não é só para mexer o corpo, pode também exercitar a cabeça e dar um recado a todo mundo num ano tão importante.
A noite foi concorrida. CPM22 abriu debaixo de um toró magnânimo. Tivemos também Claudia Leitte, com quem fiquei um bom tempo nos camarins falando de música e filhos, fraldas etc. Infelizmente não daria para cantarmos juntos Romance Ideal. Seríamos os últimos a tocar e ela já estava de partida. Um dia acontece! Depois da Banda EVA, chegou a nossa vez de subir ao palco.
O show foi sensacional. Fã-Clubes estendendo faixas, Sou Biquini e Não NEGO, Apoteose, Contramão, Em Algum Lugar No Tempo, Soul Biquini, muita gente presente na primeira fila. A cada música que tocávamos, mais forte era a emoção da galera. São Pedro nos deu uma trégua e não choveu no nosso show.
E tome loucura: a grua da Rede Globo para as tomadas do alto serviu para eu fazer um passeio sobrevoando o público em Carta Aos Missionários! Em Zé Ninguém, fizemos um enorme discurso contra os tais políticos que acham que temos memória curta. Este ano poderemos fazer uma limpa por lá. Se vai adiantar, não sei, mas não podemos mais colocar quem notoriamente nos rouba. Foi um discurso forte e que ecoou no público presente.
Veio então o momento da coreografia. Aproveitei um praticável elevado no meio do público, usado pela polícia e segurança, para ensinar e fazer tudo com eles, ali mesmo, no meio da turma. Passamos umas 3 vezes e filmamos. Eu, confesso, não tive como perceber se tinha ficado bom, já que fiquei no meio da galera. Foi a primeira pergunta que fiz a todos: ficou legal? ficou legal? E o show continuou com uma força incrível até o final. A foto de Anderson Silva é uma mostra de como foi a festa. Saímos felizes e animados para assistir na TV como tudo aquilo seria apresentado. Disseram que era já pro próximo domingo. Avisaram que ficaria para o outro. Esperamos até sexta quando nos disseram que não daria para mostrar dada a quantidade de shows filmados em todo pais pelas afiliadas da Rede Globo. Uma pena. Ainda bem que alguns fãs puseram os ensaios no YouTube, como estes aqui da Aninha e da Jessica. Mais uma vez, obrigado a todos de Cabedelo, a toda Paraíba. Foi FANTASTICO!

Show intenso em Patos

sábado, outubro 24th, 2009

Já havíamos nos hospedado em Patos-PB quando fomos tocar neste ano em Maturéia, cidade vizinha. Desta vez, a festa era na própria cidade. A viagem foi longa e super cansativa. O ônibus desconfortável não ajudava. O motorista andava lento. “Acelera, Motorista!”, alguém falou. Ele então resolveu ultrapassar um caminhão e quase batemos de frente com um carro na contramão. “Ok, pode andar mais devagar, motorista!”, nos resignamos. A viagem demorou doze horas desde sua saída no Rio e já estávamos mortos. Ao chegar no hotel, só queria ficar deitado em uma cama horizontal e que não fizesse curvas. Consegui: por apenas uma hora. Logo era chegada a hora de me arrumar, fazer as malas e tocar. Uma multidão nos esperava na arena montada para receber o primeiro show de rock na cidade. Nestas horas, penso nos bandeirantes que abriram caminho a golpes de facão mata adentro. Desbravamos o interior da Paraíba e, contrariando o paradigma do forró, estamos comprovando a tudo e todos que a galera gosta é de rock mesmo! Resultado: praça lotada, um show lindo, reunião de cidades, fã-clubes (Apoteose e Contra Mão), bandeiras do Brasil e do estado da Paraíba nos saudando com o maior carinho do mundo. Tão bom que foi difícil ter que deixar o palco, mas era preciso. Nosso show no dia seguinte seria em Barretos-SP. Outra viagem longa nos esperava e teríamos de volta pela mesma estrada que nos trouxe, desta vez com tempo correndo contra nós. Tivemos que agilizar tudo.
Fato curioso: Um fã quase pôs tudo a perder. Tal como o chinês que se colocou em frente aos tanques na Praça da Paz Celestial, ele não deixava a van da gente sair, apesar dos pedidos e principalmente de nosso medo que ele pudesse se machucar em seu desespero. Talvez ele não saiba que tanto quanto pra ele, nos dói partir assim. Não há prazer em sair correndo, mas a vida não nos dá muitas alternativas, show buziness no Brasil não tem lógica nem logística. Um dia no Nordeste, outro dia quase no coração do país. Se tivemos respeito e de tudo fizemos para chegar a tempo em uma cidade, é preciso agir da mesma forma com nossa próxima parada. Certamente teremos outra chance de nos ver, rapaz! Por conta desta loucura, ele pagou mico e a gente quase pagou o pato! ;-)
Termino o post de hoje em plena estrada, de volta a Recife agradecendo à Paraíba, por momentos tão incríveis neste ano. Ainda teremos mais! É só esperar!

Matureia: Rock no sertão é sucesso!

domingo, agosto 9th, 2009

Tem muita gente que me pergunta como fazemos tantos shows no Nordeste. Alguns, mesmo sem maldade, acreditem, perguntam pra mim como é possível tocarmos tanto “numa terra que só gosta de forró″. Ledo engano, o deles, mas é certo que muitas vezes os organizadores de eventos ficam receosos. No entanto, estão colhendo resultados expressivos nos últimos anos. A prova disso acontece em shows como este que fizemos em Maturéia-PB, uma cidade no alto de uma serra a quarenta minutos de Patos e prá lá de Campina Grande. Quando o prefeito decidiu inovar, chamando o Biquini, houve até quem duvidasse que isto daria certo. A resposta se fez com a praça mais que lotada no dia do evento. Gente a perder de vista, vindos de Souza, Caicó, até de Pernambuco veio uma turma animada! O show do 80 Volume 2 serviu também como um bom retrospecto da carreira do Biquini e o que foi a década que teve tanta gente boa como Legião, Paralamas, Cazuza, Engenheiros e muito mais. O sertão bailou por quase duas horas. O Festival do Frio ficou somente no nome, pois a praça toda ferveu. Nossa felicidade em ver tanta alegria concentrada só era comparável a do prefeito que sentia ter conseguido uma vitória importante. Comemorava no camarim e dizia que iria fazer mais shows de rock no sertão. Bem, se precisar de nós, estamos aqui!! ;-)

Dilúvio em Cabedelo

domingo, abril 26th, 2009

Noé morava em João Pessoa, Paraíba. Cuidava de umas cabras quando uma voz do alto das nuvens lhe disse: Ouça Noé, vai ter show do Biquini no Domingo, mas eu vou derramar um aguaceiro tremendo! Faça uma arca, coloque todos os bichos que achar dentro dela e saiba que o mundo vai se acabar! Noé ouviu a voz atentamente mas no domingo, até o começo da tarde, não tinha chovido. Achou que tinha sido muito sol na cabeça, que por isso ouviu a tal voz e comprou o seu ingresso. Foi só botar as mãos no ingresso e a chuva veio. Forte e impiedosa. Castigo? Não sabia, tratou de montar sua arca mas não dava tempo. O jeito foi levar todos os bichos para sua casa. As cabras, uma vaca, a sogra (pra Noé, ela era um bicho) e juntou com mais um casal de vira latas, dois gatos que não tinha ainda descoberto de que sexo eram e lá ficou protegido com a mulher, olhando para o ingresso. Anoiteceu e a chuva continuava. A voz estava certa. Só que a noite prometia ser bem chata dentro daquela casa. A TV só passava o de sempre e Noé foi se deprimindo, deprimindo até que avisou que iria dormir. Se trancou no quarto e disse pra mulher não acorda-lo por nada deste mundo. Pulou pela janela e foi ao Jacaré Pop. Chegou a tempo de ver a banda entrando no palco e atacando! Noé se fartou, pulou, cantou, não parou um minuto. Chegou em casa morto, abriu a porta, soltou os bichos e dormiu feliz, encharcado, gripado, com a tv destruida pelos cães e gatos, a sogra dormindo abraçada com a vaca e a mulher chorando por não ter ido. Ele então olhou para as nuvens e perguntou para a Voz: “Você disse que o mundo iria se acabar”. A Voz respondeu:”Verdade! Quem foi lá se acabou!! Por que você não foi? Até falei pra você fazer uma arca, para não ter problema de chegar no local!”

Brincadeiras à parte, o show foi daqueles para não nos esquecermos mais. Há muitos anos que não tocamos com tanta, mas TANTA CHUVA! Cachoeiras desciam das telhas do camarim, a voltagem do som tinha caido 10% e os barulhos que a galera ouviu, verdadeiras explosões, veio dos falantes trabalhando em condições inimagináveis. O palco, por sorte, nos protegia e evitava que o show acabasse mas cantávamos cada música como se fosse a última porque simplesmente isto poderia acontecer de verdade. Os técnicos avisavam: o palco poderia apagar e não funcionar mais. Alheios a isto tudo, para me solidarizar com o público encharcado, jogava copos e mais copos d’água sobre mim. O iluminador teve que parar de usar algumas luzes pois elas já não funcionavam mais. Nunca a fila do gargarejo (como chamamos a primeira fila, pois todos ficam com o pescoço muito pra cima para nos ver) teve um nome tão apropriado. Literalmente gargarejavam sob a cortina de chuva que não parava de cair! A emoção foi tanta que decidi subir nos ombros de um cara e cantar no meio do público. De repente, sinto um puxão no meu pé. Alguém queria arrancar meu tênis. Já estava quase saindo mas consegui evitar. Acompanho o braço do gatuno até olha-lo cara a cara. Não pensei duas vezes: dei-lhe uma microfonada e uma cara feira. Caramba! era o meu único tênis! Voltar descalço, nem pensar! Em meio à loucura, consegui um guarda chuva e continuei passeando pela galera. Doideira geral! Voltei ao palco, e agradeci a gentileza do garoto que teve forças para aguentar-me, além de equilíbrio para andar no meio daquele festival de empura-empurra! Em No Mundo da Lua, chamo um cara pro palco e descubro que ele é do Rio de Janeiro! Que loucura! Pois não é que quando tocamos no rio na lona cultural de Jacarepaguá, a menina que subiu ao palco era paraibana! Parecia uma retribuição!! Quando o show acabou, avisei que se alguém perguntasse o porque de estar tão molhado, que dissesse apenas: foi o suor!

Quando cheguei no camarim, entro e vejo algumas pessoas sequinhas sequinhas que se protegeram da chuva de alguma forma. Por pouco tempo. Disse que não admitia ninguem seco ali dentro, abri as garrafas d’água e encharquei todos! Ao chegar no hotel, tínhamos apenas uma hora até pegar o vôo. Fiquei este tempo todo secando os sapatos com o secador de cabelo, guardando as roupas molhadas e me preparando para Belo Horizonte! Que também merece um pouco mais de tempo para contar….

ps: dica para tirar a umidade do celular e da câmera que ficaram ensopadas. Basta guarda-los por uma noite dentro do pote de arroz de casa. Isto mesmo. O arroz tem propriedades capazes de tirar a umidade (nunca viu um saleiro com arroz para evitar que o sal grude?). Portanto, basta uma noite enterrado no pote de arroz para os circuitos ficarem sequinhos!

Despeeerta Campina!

sábado, abril 25th, 2009

A Paraíba nos recebendo em tão pouco tempo! Que beleza! As manifestações de carinho já aconteceram no vôo. Gente tirando foto, pedindo autógrafo, querendo saber onde seria o show. Ao chegarmos no aeroporto, mais demonstrações carinhosas. Só que tudo tem limite. Fui ao banheiro, me dirijo ao mictório e vem um cara todo sorridente: “Tu é o Bruno? Posso tirar uma foto?”. Dá para eu fazer xixi primeiro? – respondi rindo. E ali mesmo, no banheiro, após eu terminar, tiramos a foto. Até eu tirei uma pois nunca havia acontecido isto comigo!!

A programação foi intensa: visitas às rádios, entrevistas pra TV, e eu louco para dormir pois havia tido uma noite daquelas com o bebê em casa. Tive tempo de descansar desta vez. O show era tarde, depois do Chiclete com Banana, em mais uma festa misturando estilos, cada vez mais tradicionais. Só que não imaginávamos que duraria tanto tempo e entraríamos tão tarde. Quando pisamos no palco, já passavam das três e meia da matina. E não é que as milhares de pessoas ali estavam com um pique inimaginável? Tocamos o show com energia renovada, é incrível como nesta hora, o sono desaparece! Brincamos muito com todos e experimentamos novas músicas do 80 volume 2. Aos poucos, fui notando o céu se clareando. O dia estava nascendo. Mandei um berro que ouvi quando fizemos um de nossos primeiros shows na cidade, ainda na década de 80, na Praça do Povo. em horário igualmente matutino: Despeeeeerta Campina!!!! Após o show atendemos a todos nos camarins e o sol já estava longe do horizonte quando finalmente fomos pros nossos quartos no hotel. Mas por pouco tempo: dormi três horas, pois teríamos compromissos em João Pessoa. Só que esta história eu vou precisar de mais tempo para contar….

Biquini é Fest Verão: não NEGO!

quarta-feira, janeiro 21st, 2009

Nosso terceiro Fest Verão veio com uma notícia que nos deixou prosa. De todas as noites de toda a
história do evento, aquela era a mais cheia. Se levarmos em conta que estas festas costumam ter mais shows de axé, ser justamente a noite de uma banda de rock a mais visitada, já seria pra se comemorar mesmo. Se levarmos em conta que isto tudo ainda aconteceu num domingo, dia
tradicionalmente menos concorrido, não poderia haver prova maior do carinho paraibano conosco.

Cabedelo fica a poucos quilômetros de João Pessoa. Passamos o dia descansando da longa viagem madrugada e manhã adentro. Quando finalmente chegamos no hotel, tratei de almoçar e dormir “numa cama que não fazia curvas e freiava”. Somente no final do dia eu acordei. Conversei com fãs na recepção e o tempo passou depressa. Logo tive que sair pro quarto para me preparar pro show. Li um pouco do livro 1808, de Laurentino Gomes, para matar o tempo que faltava e fui pra
Cabedelo. O Asa de Águia estava se apresentando, enquanto a gente via os detalhes no camarim de como fazer o show para aquele mar de mais de 30 mil pessoas. Entrevistas para TV, rádio, Internet, a expectativa foi grande até a hora de subir ao palco. Apesar de alguns problemas com o telão que impediu a participação de nossos convidados, o show foi emocionante do começo ao fim. Bandeiras da Paraíba enfeitavam o palco. Uma camiseta fazia alusão à bandeira rubro-negra do estado com
os dizeres: Sou Biquini e não NEGO. Aliás, para quem quiser saber o por quê do NEGO na bandeira eis o que diz o wikipedia: “a palavra “NEGO” que figura na bandeira é a conjugação do verbo “negar” no presente do indicativo da primeira pessoa do singular, remetendo à não aceitação, por parte de João Pessoa, do sucessor indicado pelo então presidente do Brasil, Washington Luís.”

Cada manifestação de carinho foi saboreada por todos nós com uma enorme gratidão. Cada bom resultado como este se traduz em novos convites para mais shows na região, o que nos torna ainda mais próximos. Ao final, pedi para que dessem um jeito de ficar próximo à grade para cantar mais perto da galera. Como disse aqui no blog, agora, de aparelho ortodôntico, confesso que temo pelo que pode acontecer se acidentalmente acertarem minha boca. Acontece que, mal subi na grade e a galera puxou-me para o encontro dela. Só no meio da quizumba é que me dei conta do risco. Enquanto isso, alguém insistia em tirar meus sapatos, chegando a partir pra violência, torcendo meu pé como se ele fosse de atarrachar! Que aparelho, que nada, meu pé é que doía e muito. Só deu tempo de dizer “quer largar o meu pé, por favor, e me dar meu sapato de volta?”. Ao subir, dei os dois para o roadie e, não sei porque fiz isto, mas pulei com tudo na galera. E tome segurança desesperado tentando me tirar dali, uma
mulher querendo agora minha meia, uma loucura! Bem, voltei inteiro pro palco a tempo do último acorde. Dizer o quê? Em cima do palco, quando a loucura chega, não dá para pensar muito. E loucura é a exata palavra pra descrever aquela noite recorde na Paraíba.

Biquini é recorde de público no Fest Verão da Paraíba

quarta-feira, janeiro 21st, 2009

De todas as edições do evento, a noite com Biquini Cavadão e Asa de Águia foi a mais cheia. Mais de trinta mil pessoas lotaram a arena do Fest Verão da Paraíba, que acontece na cidade de Cabedelo, a poucos quilômetros de João Pessoa. Como se não bastasse, o recorde aconteceu num dia de domingo, quando o mais comum é termos estas marcas em sextas ou sábado. O Biquini, lançando seu novo cd e dvd 80 volume 2 encerrou a festa com um desfile interminável de sucessos da banda e de seus contemporâneos. Um telão digital de oito metros por três de altura tornou a festa ainda mais colorida.
“Começamos o ano com o pé direito”-comemorava Bruno Gouveia, vocalista da banda. “Todos os shows no nordeste que fizemos até agora tiveram sempre mais de dez mil pessoas, e agora, saber desta marca, em muito nos honra!”. O grupo, ainda neste mês, fará shows em Campos dos Goitacazes-RJ e participará da abertura do Festival de Verão de Salvador.

Campina Grande e Garanhuns:

quinta-feira, junho 14th, 2007

Eu me lembro que na década de oitenta, quando começamos a carreira, fomos tocar em Campina Grande, interior da Paraiba. Ao passarmos pela cidade, vimos uma enorme casa de shows. Um amigo meu disse que ainda levaria um tempo para nós tocarmos em uma casa tão grande. E levou! Vinte anos depois, chegamos na cidade para finalmente tocar na Spazio. O show foi em pleno feriado, e ficamos receosos que as pessoas tivessem aproveitado para viajar. E viajaram..de João Pessoa para cá! Isso sem contar a galera de Campina em peso! Com a casa cheia, o show nos arrepiou desde a primeira música. Nosso saxofonista não pode ir e mandou um substituto. Cassio não somente deu conta do recado como ainda improvisou solos e fez a tecnica da banda se arrepiar. A brincadeira depois do show era mandar mensagens pro celular do nosso saxofonista dizendo “Adeus!”. Tudo brincadeira, é claro.Voltado ao show, eu decidi pular no meio do público e chamei um cara para ficar sobre os ombros dele. Graças a Deus, era um cara bem forte para aguentar meus oitenta e quatro quilos e segurar a galera que o empurrava de todos os lados! Por instantes, achei que iria cair. Tirei os sapatos antes de pular na galera. Já as meias….espero que a esta altura do campeonato estejam lavadas!
Seguimos direto para Garanhuns. Todos nos disseram: vai fazer frio! Ah, em Pernambuco? Claro que não! Mas fomos recebidos com um termômetro marcando 16 graus!!!! A Suiça do Nordeste tem um clima realmente diferente do que você espera encontrar no sertão. Fomos fazer o encerramento de um festival de música na cidade. Todos sabem o quanto protestamos no palco sobre deputados que não fazem nada pelo país, mas tive desta vez de elogiar o evento e seu idealizador, um deputado federal que acredita na cultura brasileira, organizando um festival só de canções inéditas e compositores, trazendo inscritos de mais de vinte estados de norte a sul do país. A festa foi maravilhosa e a praça lotada nos recebeu com enorme carinho e aplauso. Os dois shows no sertão nordestino nos emocionaram e marcaram muito nossa etapa da viagem.

Um show histórico na Paraíba:

sexta-feira, fevereiro 16th, 2007

Desde 2005 que temos feito shows memoráveis em João Pessoa. Um deles foi com o Paralamas. Outro foi sozinho no ano passado. Em ambos os shows, a energia dos paraibanos multiplicou nossa vontade de fazer daqueles shows um momento raro. Quando chegamos na cidade para o Fest Verão, estávamos cansados mas certos de que o evento seria marcante. Só de público tinha mais gente que os total somado de pessoas que nos assistiu nos últimos dois shows. Dezesseis mil pessoas para Biquíni e Jota Quest. Pena não termos nos encontrado antes para uma eventual participação combinada. Só nos camarins mesmo conseguimos trocar algumas palavras. O show do Biquíni contou com o auxílio luxuoso de Ronaldo Filho nas percussões. Ele foi nosso empresário nos primórdios da banda e gravou em diversas faixas do segundo ao quinto disco. Também contamos com mestre Otacílio que deu um show nos timbales e demais percussões. Foi um show destes em que tudo parece mágico e no entanto a energia parece ser simples como o fogo. Ainda vimos o começo do show do Jota mas tínhamos que correr pro aeroporto para pegarmos nosso vôo. Antes tívessemos ficado….
O aeroporto Castro Pinto (sim, é este o nome!) está sob reformas. Vai ficar muito bonito quando terminarem mas por enquanto é algo caótico. O ideal é chegar e embarcar. No entanto, fomos novamente vítimas dos atrasos aéreos. Vagamos como zumbis a noite toda, alguns não resistiram e dormiram no chão mesmo. Quando entramos no avião, ainda sem previsão para decolar, já eram seis e meia da manhã e o sol nascia. O resto não sei contar. O fest-verão e a espera no aeroporto chamaram meu sono rapidamente!

João Pessoa:

quarta-feira, junho 14th, 2006

A Paraíba nos faz encontrar amigos de longa data. Velhos amigos, como o querido Ronaldo Lima, que foi empresário nosso por cinco anos, Petrônio, um super fã da década de 80 que fundou o primeiro fã clube paraibano, ou ainda Pedro Luz, irmão mais velho de Sheik – nosso ex-baixista – que atualmente trabalha no jardim botânico de lá. Também fizemos novos amigos, gente que redescobriu o Biquini no ano passado em show memorável com os Paralamas. Desta vez, o desafio era grande. Voltar ao mesmo lugar, o Forrock, e encher a casa sozinho. Entre visitas à televisão, radio e um agradável almoço de comida regional, passamos a tarde conversando com os velhos amigos e aguardando os novos no show à noite. Patrick convidou a galera do Pavilhão 9 para nos assistir. E o show começou forte, explosivo, solto. Os seguranças novamente impediram as meninas de subir nos ombros dos rapazes. Novamente eu pedi para TODAS subirem nos ombros e desafiar mesmo, pois não havia nada demais em fazer isto. Tentei boiar na galera, mas não consegui. No máximo rolou uma queda humana de dominós. O show terminou com uma energia maravilhosa. Mais que isto, a certeza de que a Paraíba é mais um estado que esperamos a partir de agora estar sempre presente nas nossas subidas ao Nordeste!

João Pessoa Indescritível:

quinta-feira, novembro 24th, 2005

Saltamos em Recife naquela manhã e seguimos como zumbis para João Pessoa, na Paraíba, a poucos quilômetros dali. Este ano tem sido de reencontros memoráveis! A possibilidade de reencontrar os paraibanos depois de mais de dez anos sem tocar naquele estado nos deu um ânimo maior para a noite. No entanto, eram dez da manhã e tudo que queríamos era dormir um pouco. Um pouco, não. No meu caso, muito. Quando acordei, já passava das 8 da noite e sequer havia almoçado. Nada vi da cidade que tanto mudou de uma década para cá. A minha ansiedade para sair quarto à noite aumentou sabendo que Os Paralamas do Sucesso abririam o Paraíba Pop Music. Decidi vê-los, já que sou fã incondicional da banda, além de todos nós amarmos Herbert, Bi, Barone e toda turma como se fossem primos mais velhos. Para nós, os Paralamas são o norte de uma bússola imaginária, aquilo que queríamos ser, não musicalmente, mas como artistas: do bem, íntegros e que conquistaram o Brasil e o mundo.
Após assisti-los, gelei. Como fazer um show depois do que vi no palco! Ao encontrar com eles nos camarins, Herbert me desejou um bom show mas eu respondi: com este palco ensaboado vai ser difícil. Palco ensaboado é uma gíria usada quando alguém faz um show muito bom e você tem que fazer o seu em seguida. Era justamente o nosso caso naquela noite. A galera já havia se acabado no show dos Paralamas, já estava ficando tarde e não estranharia se alguns fossem embora…. mas não foram!
Não sei explicar o que aconteceu. Foi um desses shows em que tudo ocorre com perfeição. Mesmo os problemas parecem que vêm para ajudar-nos. Em determinado momento uma fã sobe no palco louquinha da silva. A gente pega carona no pique dela e os seguranças não entendem nada: afinal, é pra tira-la do palco ou não? Nem a gente sabia, deixamos o vento soprar as velas deste barco que navegava sem rumo e a toda! Os seguranças – não sei por que motivo – não deixavam as meninas subirem nos ombros da galera! Decidimos fazer um motim. Convocamos todas para subirem ao mesmo tempo! E foi mágico ver como tinha gente nos ombros pulando, tirando fotos…as que estavam por perto, chegaram até a beira do palco e pudemos cumprimentá-las. Quando o show terminou, era como se tivesse passado só 10 minutos desde que saí do camarim para subir ao palco. A animação era tanta que, com o dia nascendo, peguei carona com umas fãs e segui para a praia onde, de roupa e tudo, mergulhei com o dia nascendo. Uma festa maravilhosa em nosso reencontro com a Paraíba!