Posts Tagged ‘DF’

A Maratona de Brasília

domingo, fevereiro 7th, 2010

A Corrida de Reis é notória em Brasília. E lá estávamos nós para fazer o encerramento num ginásio enorme. Saímos cedo de casa e fomos recebidos em um excelente hotel. O problema é que o ar condicionado não funcionava nos quartos. De novo? Na semana anterior, a volta de Turmalina para o Rio foi em 17 horas dentro de um forno de microônibus! Estão de marcação com a gente! Janelas abertas nos quartos não ajudaram muito quando se fala do calor que faz em Brasília nesta época do ano. Um calor seco daqueles que te fazem cuspir em pó. Recebi uns amigos, batemos um papo e logo fomos para a passagem de som. Começamos a testar algumas novidades em Zé Ninguém. Vai ficar legal mas precisamos ensaiar um pouco mais. Também aproveitamos para ensaiar a nova música, para toca-la assim que entrar nas rádios em Fevereiro.
Quando finalmente pisamos no palco para o show, a cena era incrível. Ficava eu me perguntando, como a galera depois de correr tanto ainda teria pique para encarar quase duas horas de show? Bem, acho que eu os subestimei! Tiraram de letra! Arrebentaram, pularam, cantaram muito. Foi um belíssimo show que ainda contou com dois convidados surpresa: O primeiro foi Marceleza, cantor do Maskavo, que nos brindou em Vento Ventania. No bis, tocamos com Philippe Seabra que chegou a mudar a letra de Até Quando Esperar para sacanear os escândalos do “panetone” do governador Arruda no Distrito Federal. Impagável. A galera no show esbanjou saúde. Eu, por outro lado, terminei mortinho!
Se me pedissem para correr depois do show só se fossem cem metros rasos para um sono profundo ;)

Brasília e o “Sótão do Rock”:

domingo, junho 25th, 2006

Atendendo a pedidos constantes dos fãs, fomos convidados pelo Café Cancun em Brasília, para uma noite em sua casa. Eu mal havia dormido direito nos últimos dias e fiz o vôo torcendo para chegar logo na cidade para apagar no quarto de hotel, mas a agenda de compromissos, para minha surpresa, estava cheia. Só de pensar nisso, gelei. Queria ir logo pro hotel tirar um cochilo, que fosse de apenas duas horas só para recarregar um pouco o meu ânimo. O problema foi que tão logo desfiz minhas malas e coloquei o alarme do celular para me acordar em menos de uma hora e cinqüenta minutos, batem na minha porta.
- Senhor, precisamos que troque de apartamento – dizia um atendente
- Por que?
- Nosso recepcionista fez a reserva errado e colocou-o no apartamento errado.
- Olha, eu preciso dormir. Daqui a duas horas eu terei o maior prazer em ajudá-lo….
- Senhor, tem que ser agora
- Não. Vou dormir. Preciso dormir. Até mudar-me pra outro quarto, terei perdido uns 20 preciosos minutos! Lamento, mas não posso ser prejudicado pelo erro do seu recepcionista. Depois eu até troco mas agora não – expliquei sem sequer abrir a porta. Irritado, voltei para cama, liguei para a recepção e pedi que não me incomodassem mais.
O resultado foi pior que eu imaginava. Telefonemas constantes para meu quarto, insistindo para eu mudar logo. Tirei o telefone da tomada. Batidas na porta cada vez mais fortes, como seu eu fosse um criminoso foragido. Culminou com os seguranças e camareiras invadindo o meu quarto. Permaneci calado e imóvel na cama, esperando pra ver o que mais fariam. Ouvi alguém sugerir que me carregassem mas, talvez por me acharem grande, ou por terem visto a bagunça que consegui fazer no quarto nos poucos minutos em que entrei nele, desmotivaram-lhes. Fecharam a porta e finalmente pude dormir mais uma hora e dez minutos. O resultado foi um festival de entrevistas entremeadas sempre de pequenos cochilos ao longo do dia.
No meio disso tudo, fomos convidados pelo Shopping Pier 21 para deixar nossas mãos na calçada da fama. Tal como em Hollywood, uma placa de cimento nos esperava para receber nossas impressões e autógrafos. Foi uma bela homenagem e agradecemos pela lembrança. Uma curiosidade: as mãos tem que passar por uma bela besuntada de vaselina para que o cimento não grude na gente. Em meio a nomes como Lars Grael, Oscar Schmidt, Plebe Rude e Los Hermanos, deixamos nossa marca por lá também. Seguimos direto para a passagem de som. Queríamos testar algumas alterações no show e o ensaio, por isso, foi bem longo, seguido de jantar no local. Quando cheguei no hotel novamente, só me restava tempo de tomar banho e me arrumar pra sair.
O local estava bem cheio. Ainda que fosse uma casa para menos de mil pessoas, confesso minha preocupação com a lotação. Era dia do Porão do Rock, um mega evento em Brasília. Muita gente, entre as duas opções, declinaria de nosso show. Foi bom ver a casa apinhada de gente e com uma energia tão grande quanto a do público do festival. Assim sendo, batizamos o show de O Sótão do Rock. O palco tinha uma peculiaridade. Ficava num canto da casa. Ou a gente tocava de frente para um lado do público e ignorava a lateral ou invertíamos os lados. O jeito foi fazer um show com a banda tocando na diagonal. Era estranho, pois havia uma coluna bem na minha frente, mas a alegria contagiante dos brasilienses expulsou qualquer preocupação maior de nossas cabeças. O clima foi ficando tão animado que quase tivemos um problema sério. Um rapaz mais exaltado acabou subindo na torre de iluminação bem em frente ao palco e quase a derruba. Foi preciso os próprios fãs segurarem a torre para evitar um acidente. Por sorte, tudo não passou de um susto. O encerramento do show contou com nosso amigo Philippe Seabra, da Plebe Rude. Como não tínhamos ensaiado nada, tocamos juntos Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultraje a Rigor. Da próxima vez, quem sabe não rola Proteção ou Até Quando Esperar? Finalmente, na última música, chamei ao palco um cara que era muito parecido com o Coelho. Sem que nosso guitarrista o visse, coloquei uma guitarra no nosso convidado e chamei-o ao palco cantando os versos de Zé Ninguém: Quem foi que disse que os homens nascem iguais? Parecia um jogo dos sete erros em pleno palco!
Atendemos alguns fãs nos camarins, entre eles um que me disse ter ficado triste com minhas críticas à Brasília em pleno show. As vezes é difícil tornar clara nossas idéias. Nada tenho contra a cidade ou quem mora nela, mas é fato Brasília concentra um número gigante de contraventores, bandidos, desonestos e corruptos que foram eleitos por nós – infelizmente. À cidade, peço que não se envergonhe destes breves passageiros. Sua beleza e o carinho de seu povo sempre falarão mais alto.

Brasília – Cantando alto para acordar os ministros :

terça-feira, agosto 23rd, 2005

O ônibus seguiu direto de São Paulo para Brasília. Nós ficamos para pegar um avião mais tarde, o que me permitiu relaxar um pouco no hotel. Foi um domingo em que andei pela Paulista, passei minha tarde sozinho e ensimesmado. Apareci no hotel somente na hora do check-out. Fomos pra Brasília e chegamos a tempo de jantar, mas houve um problema. A mala do Coelho veio manchada. Quando abrimos notamos que a mancha era devido à água sanitária que caiu sobre a mala e ainda descoloriu a camisa que ele usa no show. Ficamos esperando a companhia aérea realizar os procedimentos para indenização, o que tomou-nos bastante tempo. Ao chegarmos no hotel, já estava quase na hora de sair.
O show teve abertura do 10Zero4, boa banda de Brasília e que atacou com músicas de seu primeiro disco, que foi produzido por Philippe, da Plebe Rude. Logo depois entramos no palco. Foi uma festa e tanto! Brasília também estava na nossa lista de dívidas impagáveis. O resultado foi energia pura. Mesmo com a casa limitada a 90 decibéis para tocarmos foi uma porrada! Explicando os decibéis: o ideal para um show é estar acima de 100 Db pois você sente melhor a pressão. Do contrário, soa meio como música ambiente. Não foi tanto assim, mas era uma necessidade da casa pois a sua localização perto das residências dos ministros gerou algumas ameaças de fechamento. Bem, naquela noite, sinto que tocamos para acordar a vizinhança toda! O carinho com que fomos recebidos (a última vez foi no reveillon de 2000) nos encheu de alegria. Saímos do palco com a grata notícia de um novo show marcado para um futuro breve. Que ótimo!