O oeste paranaense tem nos recebido de braços abertos nos últimos anos. De 2006 para cá, conseguimos imprimir um bom ritmo de shows na região. A frequencia com que isto ocorre permite que as pessoas acompanhem de perto o que o Biquini anda fazendo. Show após show, nossas apresentações tem sido para casas mais cheias. Foi com estes bons antecedentes que voltamos do carnaval para quatro shows na região. O primeiro foi uma festa fechada em Foz do Iguaçú para um laboratório farmaceutico. Ficamos hospedados em um ótimo hotel, porém estávamos proibidos de sair do quarto pois o show seria uma surpresa para os que lá estavam. Ante a ficar no ótimo quarto de hotel e dar umas voltas, decidi cruzar a fronteira e ir ao Paraguai para ver o que era vendido por lá. Muitas voltas, muitas lojas, algo parecido com um supermercado popular, uma feira ao ar livre vendendo TVs de LCD, computadores de marca, outros sem marca alguma, iphones desbloqueados para qualquer operadora, um paraÃso ou inferno de Dante, vocês que decidem. Acabei comprando apenas um radio comunicador para a equipe técnica. Voltei para o cárcere do hotel cinco estrelas e lá fiquei sem sair até a noite. Fui muito bem atendido, por sinal. Se não fosse o problema de sair do quarto, seria perfeito. Descansei. O show, embora para pouca gente, como à s vezes é costume nestas festas fechadas, foi muito divertido e serviu para desenferrujarmo-nos depois de mais de um mês parado. Nossa próxima parada foi em Cascavel. Nosso quarto show na cidade foi no Square Bar, uma casa de tamanho médio. O palco ficava bem alto e me perguntei se a galera não saÃa de lá com dores no pescoço depois de uma hora olhando para cima. Não importa, dei um jeito de descer e cantar junto deles em Timidez. Foi um show para lavar a alma. O anterior que fizemos tinha sido há três anos e para bem pouca gente. Agradecemos o carinho. No dia seguinte fomos para Toledo. O calor na região era imenso e ficamos em um ótimo hotel mas, mais uma vez, enfrentamos alguns problemas. Com o clima seco, a cidade que fabrica ração para animais, exalava um cheiro de pet-shop por todos os cantos. Era estranho sentir aquele ar seco com cheiro de alpiste, aveia e outros grãos de forma tão intensa. Quando a noite chegou, me bateu um cansaço imenso. Pudera, depois de um mês acostumado a dormir por volta das dez da noite e acordar à s seis (horários de Gabriel, claro), eu naturalmente estranhava cantar por volta de uma da manhã e chegar ao hotel à s cinco, sendo que saÃamos à s dez para outra cidade! Diante disso, fui descansando o máximo que pude até a hora de subir ao palco. Engraçado como a adrenalina acorda a gente. O palco, mais próximo do público tornou o show mais Ãntimo e divertido. Um show bem legal e cantado no meio da galera, literalmente. Mais uma noite curta e seguimos para Francisco Beltrão. O Estrutura HAO nos recebeu pela terceira vez seguida. À tarde, assistimos o especial Homenagem ao Artista, do Raul Gil, em que fomos agraciados com depoimentos emocionantes de amigos, colegas e familiares. Confesso que os olhos ficaram novamente marejados. Quando chegou a hora de tocar, surpresa, Denise, a cantora que havia cantado Zé Ninguém no programa estava lá. Ainda que cantando no nosso tom, bem mais grave, teve extensão para levar a música conosco no final do show. É bom ver que a cada ano, temos tocado para casas mais cheias por esta região e torcemos para esta frequencia se intensificar. Obrigado e, já que estamos na fronteira, por que não dizer também muchas gracias!