Eu e Coelho fomos a Salvador neste Carnaval para aproveitarmos nossas férias e entender como funcionam os trios elétricos. Fomos convidado pelos nossos amigos do Jammil e tratamos de aproveitar nossa estada à base de muita comida baiana, passeios pelo Pelô e a oportunidade de estar nos melhores lugares para assistir a festa máxima da Bahia.
Na quinta à noite, aproveitamos para ver de perto onde e como seria nossa canja com o Jammil. Eles desfilaram com o trio no percurso Barra-Ondina. O problema é que chegamos atrasados e o trio já tinha saÃdo. O remédio foi correr atrás dele e no meio de tantos, achar qual era o do Jammil. Quando finalmente o encontramos, pedimos para subir, mas os seguranças não deixavam porque não tÃnhamos o abadá (camiseta especÃfica para poder entrar). Coelho explicava que éramos do BiquÃni Cavadão e que o Jammil esperava por nós lá em cima. O rapaz olhava meio que a dizer: “Tudo bem, eu também vou tocar lá em cima daqui a pouco…agora sumam daqui!” . Isto é o que eu imaginava pois o som era demolidor. A melhor solução seria então chamar a atenção dos músicos. Fomos mais à frente e pedi para o percussionista chamar o Mano Góes. O percussionista nos reconheceu e foi buscá-lo. Acontece que há pouco tempo, algumas pessoas haviam enchido o saco dele naquele lado do trio.
- Mano, tem uns caras querendo falar com você…. -
- Ora, não me peça pra ver estes caras. Mande eles pra ##%#@$@!!!!
Ainda bem que nosso amigo foi insistente e com isto conseguimos subir no trio.
Diante de uma bela vista aproveitamos a nossa primeira experiência de carnaval em Salvador. Eles tocaram por 4 horas e meia e confesso que ficamos nos coçando para também tocar. Na sexta feira, foi a vez de assistirmos a festa do alto dos camarotes da Vogue e do Expresso 2222. Mesmo com todas as mordomias e facilidades oferecidas, preferi mil vezes estar no trio.
No sábado, finalmente chegou a hora. Como convidados de Margareth Menezes saÃmos meia noite e fomos até as seis tocando com ela três vezes. Na primeira, tocamos Chove Chuva e Tédio. A segunda Intervenção foi com Vento Ventania e JanaÃna. A terceira foi com Vento Ventania e Banho de Lua (de Cely Campelo), esta última em dueto com ela.
Estar em um trio é como se estivéssemos em um carro alegórico sobre a bateria de uma escola de samba. Por onde passamos, a alegria é imensa entre mais de cem mil foliões. Margareth é vibrante, dona de voz privilegiada e muito querida por todos. Em um determinado momento, ela parou o show para conter uma confusão. Deu um pito daqueles que só uma mãezona sabe dar e acalmou a massa sem perder o pique. Emocionei-me várias vezes com seu show por ser música baiana de raiz. Confesso que algumas vezes nem entendi direito o que cantava, já que não saco nada de nagô e iorubá, mas ver as pessoas cantando e pulando me fez entender muito bem o porquê do Carnaval de Salvador atrair tanta gente.
O domingo foi de descanso total. Acabamos indo para a Praia do Forte, onde aconteceu um lance muito divertido. Junto com um casal amigo nosso, Rodrigo e Chris, em uma mesa enorme, comÃamos bolinho de peixe e muita caipivodka de sirigüela, quando pediram para tocarmos algo no palco onde uma banda se apresentava. Atendemos ao pedido até para tocar para nossos amigos da mesa. A galera da banda não sabia nossas músicas mas entraram no clima e a quÃmica deu certo. Foram umas quatro músicas apenas, afinal a banda local é que era dona do palco e há de se respeitar muito isto. De mais a mais, querÃamos voltar a bater papo e curtir a noite. Ainda assim, foi muito divertido.
A noite de segunda estava reservada para tocarmos no trio de Jammil e Uma Noites. Foram 4 intervenções muito legais. Se Margareth representa o lado mais tradicional da Bahia, o Jammil é o lado mais pop, sem medo de misturar ritmos e estilos. Em 5 horas de repertório, tocaram desde seu repertório passando por Skank, Los Hermanos, Jota Quest e Charly Brown Jr. . Foi o lado rock na avenida.
Fora isto, Mano, Tuca e Beto são de uma generosidade atroz, tem carisma e humildade, talento e amam o que fazem. Nossas canjas sempre foram dadas nos melhores momentos do desfile, quando havia transmissão de TV ou via Internet.
Como costumo dizer, são do bem!
Nossa primeira intervenção foi no Farol da Barra. Tocamos Chove Chuva e Vento Ventania. A segunda foi na frente do Camarote de Daniela Mercury. Tocamos uma versão de 7 minutos de JanaÃna, com direito a um meddley de Tim Maia (Gostava Tanto de Você, Você e Não Quero Dinheiro). Na frente do camarote Nana Banana, atacamos de Blue Suede Shoes(Elvis), Ciúme (Ultraje) e La Bamba. Acompanhamos a festa até o fim quando cantamos juntos Vento Ventania, Sou Guerreiro (Jammil) entre outras. Foi uma experiência emocionante que espero repetir em outros anos. Estamos de férias até o dia primeiro de Março, quando voltaremos aos ensaios e shows.