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Cabedelo, Fest Verão e a Coreografia

domingo, fevereiro 7th, 2010

O show no Fest Verão 2010 tinha um sabor diferente para nós. Ele seria filmado pela equipe da TV Globo da Paraíba para o quadro Desafio da Galera, do Fantástico. Para isto, era preciso que fizéssemos uma certa coreografia com o público. No show do Biquini, as pessoas participam muito, pulam, mexem os braços, giram camisetas, são sempre um espetáculo à parte. Não seria difícil criarmos algo para o programa. Decidimos fazer então em Zé Ninguém. Este ano é de eleição, seria bom darmos um recado a todos que acham que se reelegerão, depois de tantas falcatruas. Coreografia não é só para mexer o corpo, pode também exercitar a cabeça e dar um recado a todo mundo num ano tão importante.
A noite foi concorrida. CPM22 abriu debaixo de um toró magnânimo. Tivemos também Claudia Leitte, com quem fiquei um bom tempo nos camarins falando de música e filhos, fraldas etc. Infelizmente não daria para cantarmos juntos Romance Ideal. Seríamos os últimos a tocar e ela já estava de partida. Um dia acontece! Depois da Banda EVA, chegou a nossa vez de subir ao palco.
O show foi sensacional. Fã-Clubes estendendo faixas, Sou Biquini e Não NEGO, Apoteose, Contramão, Em Algum Lugar No Tempo, Soul Biquini, muita gente presente na primeira fila. A cada música que tocávamos, mais forte era a emoção da galera. São Pedro nos deu uma trégua e não choveu no nosso show.
E tome loucura: a grua da Rede Globo para as tomadas do alto serviu para eu fazer um passeio sobrevoando o público em Carta Aos Missionários! Em Zé Ninguém, fizemos um enorme discurso contra os tais políticos que acham que temos memória curta. Este ano poderemos fazer uma limpa por lá. Se vai adiantar, não sei, mas não podemos mais colocar quem notoriamente nos rouba. Foi um discurso forte e que ecoou no público presente.
Veio então o momento da coreografia. Aproveitei um praticável elevado no meio do público, usado pela polícia e segurança, para ensinar e fazer tudo com eles, ali mesmo, no meio da turma. Passamos umas 3 vezes e filmamos. Eu, confesso, não tive como perceber se tinha ficado bom, já que fiquei no meio da galera. Foi a primeira pergunta que fiz a todos: ficou legal? ficou legal? E o show continuou com uma força incrível até o final. A foto de Anderson Silva é uma mostra de como foi a festa. Saímos felizes e animados para assistir na TV como tudo aquilo seria apresentado. Disseram que era já pro próximo domingo. Avisaram que ficaria para o outro. Esperamos até sexta quando nos disseram que não daria para mostrar dada a quantidade de shows filmados em todo pais pelas afiliadas da Rede Globo. Uma pena. Ainda bem que alguns fãs puseram os ensaios no YouTube, como estes aqui da Aninha e da Jessica. Mais uma vez, obrigado a todos de Cabedelo, a toda Paraíba. Foi FANTASTICO!

Dilúvio em Cabedelo

domingo, abril 26th, 2009

Noé morava em João Pessoa, Paraíba. Cuidava de umas cabras quando uma voz do alto das nuvens lhe disse: Ouça Noé, vai ter show do Biquini no Domingo, mas eu vou derramar um aguaceiro tremendo! Faça uma arca, coloque todos os bichos que achar dentro dela e saiba que o mundo vai se acabar! Noé ouviu a voz atentamente mas no domingo, até o começo da tarde, não tinha chovido. Achou que tinha sido muito sol na cabeça, que por isso ouviu a tal voz e comprou o seu ingresso. Foi só botar as mãos no ingresso e a chuva veio. Forte e impiedosa. Castigo? Não sabia, tratou de montar sua arca mas não dava tempo. O jeito foi levar todos os bichos para sua casa. As cabras, uma vaca, a sogra (pra Noé, ela era um bicho) e juntou com mais um casal de vira latas, dois gatos que não tinha ainda descoberto de que sexo eram e lá ficou protegido com a mulher, olhando para o ingresso. Anoiteceu e a chuva continuava. A voz estava certa. Só que a noite prometia ser bem chata dentro daquela casa. A TV só passava o de sempre e Noé foi se deprimindo, deprimindo até que avisou que iria dormir. Se trancou no quarto e disse pra mulher não acorda-lo por nada deste mundo. Pulou pela janela e foi ao Jacaré Pop. Chegou a tempo de ver a banda entrando no palco e atacando! Noé se fartou, pulou, cantou, não parou um minuto. Chegou em casa morto, abriu a porta, soltou os bichos e dormiu feliz, encharcado, gripado, com a tv destruida pelos cães e gatos, a sogra dormindo abraçada com a vaca e a mulher chorando por não ter ido. Ele então olhou para as nuvens e perguntou para a Voz: “Você disse que o mundo iria se acabar”. A Voz respondeu:”Verdade! Quem foi lá se acabou!! Por que você não foi? Até falei pra você fazer uma arca, para não ter problema de chegar no local!”

Brincadeiras à parte, o show foi daqueles para não nos esquecermos mais. Há muitos anos que não tocamos com tanta, mas TANTA CHUVA! Cachoeiras desciam das telhas do camarim, a voltagem do som tinha caido 10% e os barulhos que a galera ouviu, verdadeiras explosões, veio dos falantes trabalhando em condições inimagináveis. O palco, por sorte, nos protegia e evitava que o show acabasse mas cantávamos cada música como se fosse a última porque simplesmente isto poderia acontecer de verdade. Os técnicos avisavam: o palco poderia apagar e não funcionar mais. Alheios a isto tudo, para me solidarizar com o público encharcado, jogava copos e mais copos d’água sobre mim. O iluminador teve que parar de usar algumas luzes pois elas já não funcionavam mais. Nunca a fila do gargarejo (como chamamos a primeira fila, pois todos ficam com o pescoço muito pra cima para nos ver) teve um nome tão apropriado. Literalmente gargarejavam sob a cortina de chuva que não parava de cair! A emoção foi tanta que decidi subir nos ombros de um cara e cantar no meio do público. De repente, sinto um puxão no meu pé. Alguém queria arrancar meu tênis. Já estava quase saindo mas consegui evitar. Acompanho o braço do gatuno até olha-lo cara a cara. Não pensei duas vezes: dei-lhe uma microfonada e uma cara feira. Caramba! era o meu único tênis! Voltar descalço, nem pensar! Em meio à loucura, consegui um guarda chuva e continuei passeando pela galera. Doideira geral! Voltei ao palco, e agradeci a gentileza do garoto que teve forças para aguentar-me, além de equilíbrio para andar no meio daquele festival de empura-empurra! Em No Mundo da Lua, chamo um cara pro palco e descubro que ele é do Rio de Janeiro! Que loucura! Pois não é que quando tocamos no rio na lona cultural de Jacarepaguá, a menina que subiu ao palco era paraibana! Parecia uma retribuição!! Quando o show acabou, avisei que se alguém perguntasse o porque de estar tão molhado, que dissesse apenas: foi o suor!

Quando cheguei no camarim, entro e vejo algumas pessoas sequinhas sequinhas que se protegeram da chuva de alguma forma. Por pouco tempo. Disse que não admitia ninguem seco ali dentro, abri as garrafas d’água e encharquei todos! Ao chegar no hotel, tínhamos apenas uma hora até pegar o vôo. Fiquei este tempo todo secando os sapatos com o secador de cabelo, guardando as roupas molhadas e me preparando para Belo Horizonte! Que também merece um pouco mais de tempo para contar….

ps: dica para tirar a umidade do celular e da câmera que ficaram ensopadas. Basta guarda-los por uma noite dentro do pote de arroz de casa. Isto mesmo. O arroz tem propriedades capazes de tirar a umidade (nunca viu um saleiro com arroz para evitar que o sal grude?). Portanto, basta uma noite enterrado no pote de arroz para os circuitos ficarem sequinhos!

Biquini é Fest Verão: não NEGO!

quarta-feira, janeiro 21st, 2009

Nosso terceiro Fest Verão veio com uma notícia que nos deixou prosa. De todas as noites de toda a
história do evento, aquela era a mais cheia. Se levarmos em conta que estas festas costumam ter mais shows de axé, ser justamente a noite de uma banda de rock a mais visitada, já seria pra se comemorar mesmo. Se levarmos em conta que isto tudo ainda aconteceu num domingo, dia
tradicionalmente menos concorrido, não poderia haver prova maior do carinho paraibano conosco.

Cabedelo fica a poucos quilômetros de João Pessoa. Passamos o dia descansando da longa viagem madrugada e manhã adentro. Quando finalmente chegamos no hotel, tratei de almoçar e dormir “numa cama que não fazia curvas e freiava”. Somente no final do dia eu acordei. Conversei com fãs na recepção e o tempo passou depressa. Logo tive que sair pro quarto para me preparar pro show. Li um pouco do livro 1808, de Laurentino Gomes, para matar o tempo que faltava e fui pra
Cabedelo. O Asa de Águia estava se apresentando, enquanto a gente via os detalhes no camarim de como fazer o show para aquele mar de mais de 30 mil pessoas. Entrevistas para TV, rádio, Internet, a expectativa foi grande até a hora de subir ao palco. Apesar de alguns problemas com o telão que impediu a participação de nossos convidados, o show foi emocionante do começo ao fim. Bandeiras da Paraíba enfeitavam o palco. Uma camiseta fazia alusão à bandeira rubro-negra do estado com
os dizeres: Sou Biquini e não NEGO. Aliás, para quem quiser saber o por quê do NEGO na bandeira eis o que diz o wikipedia: “a palavra “NEGO” que figura na bandeira é a conjugação do verbo “negar” no presente do indicativo da primeira pessoa do singular, remetendo à não aceitação, por parte de João Pessoa, do sucessor indicado pelo então presidente do Brasil, Washington Luís.”

Cada manifestação de carinho foi saboreada por todos nós com uma enorme gratidão. Cada bom resultado como este se traduz em novos convites para mais shows na região, o que nos torna ainda mais próximos. Ao final, pedi para que dessem um jeito de ficar próximo à grade para cantar mais perto da galera. Como disse aqui no blog, agora, de aparelho ortodôntico, confesso que temo pelo que pode acontecer se acidentalmente acertarem minha boca. Acontece que, mal subi na grade e a galera puxou-me para o encontro dela. Só no meio da quizumba é que me dei conta do risco. Enquanto isso, alguém insistia em tirar meus sapatos, chegando a partir pra violência, torcendo meu pé como se ele fosse de atarrachar! Que aparelho, que nada, meu pé é que doía e muito. Só deu tempo de dizer “quer largar o meu pé, por favor, e me dar meu sapato de volta?”. Ao subir, dei os dois para o roadie e, não sei porque fiz isto, mas pulei com tudo na galera. E tome segurança desesperado tentando me tirar dali, uma
mulher querendo agora minha meia, uma loucura! Bem, voltei inteiro pro palco a tempo do último acorde. Dizer o quê? Em cima do palco, quando a loucura chega, não dá para pensar muito. E loucura é a exata palavra pra descrever aquela noite recorde na Paraíba.