Archive for abril, 2009

Dilúvio em Cabedelo

domingo, abril 26th, 2009

Noé morava em João Pessoa, Paraíba. Cuidava de umas cabras quando uma voz do alto das nuvens lhe disse: Ouça Noé, vai ter show do Biquini no Domingo, mas eu vou derramar um aguaceiro tremendo! Faça uma arca, coloque todos os bichos que achar dentro dela e saiba que o mundo vai se acabar! Noé ouviu a voz atentamente mas no domingo, até o começo da tarde, não tinha chovido. Achou que tinha sido muito sol na cabeça, que por isso ouviu a tal voz e comprou o seu ingresso. Foi só botar as mãos no ingresso e a chuva veio. Forte e impiedosa. Castigo? Não sabia, tratou de montar sua arca mas não dava tempo. O jeito foi levar todos os bichos para sua casa. As cabras, uma vaca, a sogra (pra Noé, ela era um bicho) e juntou com mais um casal de vira latas, dois gatos que não tinha ainda descoberto de que sexo eram e lá ficou protegido com a mulher, olhando para o ingresso. Anoiteceu e a chuva continuava. A voz estava certa. Só que a noite prometia ser bem chata dentro daquela casa. A TV só passava o de sempre e Noé foi se deprimindo, deprimindo até que avisou que iria dormir. Se trancou no quarto e disse pra mulher não acorda-lo por nada deste mundo. Pulou pela janela e foi ao Jacaré Pop. Chegou a tempo de ver a banda entrando no palco e atacando! Noé se fartou, pulou, cantou, não parou um minuto. Chegou em casa morto, abriu a porta, soltou os bichos e dormiu feliz, encharcado, gripado, com a tv destruida pelos cães e gatos, a sogra dormindo abraçada com a vaca e a mulher chorando por não ter ido. Ele então olhou para as nuvens e perguntou para a Voz: “Você disse que o mundo iria se acabar”. A Voz respondeu:”Verdade! Quem foi lá se acabou!! Por que você não foi? Até falei pra você fazer uma arca, para não ter problema de chegar no local!”

Brincadeiras à parte, o show foi daqueles para não nos esquecermos mais. Há muitos anos que não tocamos com tanta, mas TANTA CHUVA! Cachoeiras desciam das telhas do camarim, a voltagem do som tinha caido 10% e os barulhos que a galera ouviu, verdadeiras explosões, veio dos falantes trabalhando em condições inimagináveis. O palco, por sorte, nos protegia e evitava que o show acabasse mas cantávamos cada música como se fosse a última porque simplesmente isto poderia acontecer de verdade. Os técnicos avisavam: o palco poderia apagar e não funcionar mais. Alheios a isto tudo, para me solidarizar com o público encharcado, jogava copos e mais copos d’água sobre mim. O iluminador teve que parar de usar algumas luzes pois elas já não funcionavam mais. Nunca a fila do gargarejo (como chamamos a primeira fila, pois todos ficam com o pescoço muito pra cima para nos ver) teve um nome tão apropriado. Literalmente gargarejavam sob a cortina de chuva que não parava de cair! A emoção foi tanta que decidi subir nos ombros de um cara e cantar no meio do público. De repente, sinto um puxão no meu pé. Alguém queria arrancar meu tênis. Já estava quase saindo mas consegui evitar. Acompanho o braço do gatuno até olha-lo cara a cara. Não pensei duas vezes: dei-lhe uma microfonada e uma cara feira. Caramba! era o meu único tênis! Voltar descalço, nem pensar! Em meio à loucura, consegui um guarda chuva e continuei passeando pela galera. Doideira geral! Voltei ao palco, e agradeci a gentileza do garoto que teve forças para aguentar-me, além de equilíbrio para andar no meio daquele festival de empura-empurra! Em No Mundo da Lua, chamo um cara pro palco e descubro que ele é do Rio de Janeiro! Que loucura! Pois não é que quando tocamos no rio na lona cultural de Jacarepaguá, a menina que subiu ao palco era paraibana! Parecia uma retribuição!! Quando o show acabou, avisei que se alguém perguntasse o porque de estar tão molhado, que dissesse apenas: foi o suor!

Quando cheguei no camarim, entro e vejo algumas pessoas sequinhas sequinhas que se protegeram da chuva de alguma forma. Por pouco tempo. Disse que não admitia ninguem seco ali dentro, abri as garrafas d’água e encharquei todos! Ao chegar no hotel, tínhamos apenas uma hora até pegar o vôo. Fiquei este tempo todo secando os sapatos com o secador de cabelo, guardando as roupas molhadas e me preparando para Belo Horizonte! Que também merece um pouco mais de tempo para contar….

ps: dica para tirar a umidade do celular e da câmera que ficaram ensopadas. Basta guarda-los por uma noite dentro do pote de arroz de casa. Isto mesmo. O arroz tem propriedades capazes de tirar a umidade (nunca viu um saleiro com arroz para evitar que o sal grude?). Portanto, basta uma noite enterrado no pote de arroz para os circuitos ficarem sequinhos!

Despeeerta Campina!

sábado, abril 25th, 2009

A Paraíba nos recebendo em tão pouco tempo! Que beleza! As manifestações de carinho já aconteceram no vôo. Gente tirando foto, pedindo autógrafo, querendo saber onde seria o show. Ao chegarmos no aeroporto, mais demonstrações carinhosas. Só que tudo tem limite. Fui ao banheiro, me dirijo ao mictório e vem um cara todo sorridente: “Tu é o Bruno? Posso tirar uma foto?”. Dá para eu fazer xixi primeiro? – respondi rindo. E ali mesmo, no banheiro, após eu terminar, tiramos a foto. Até eu tirei uma pois nunca havia acontecido isto comigo!!

A programação foi intensa: visitas às rádios, entrevistas pra TV, e eu louco para dormir pois havia tido uma noite daquelas com o bebê em casa. Tive tempo de descansar desta vez. O show era tarde, depois do Chiclete com Banana, em mais uma festa misturando estilos, cada vez mais tradicionais. Só que não imaginávamos que duraria tanto tempo e entraríamos tão tarde. Quando pisamos no palco, já passavam das três e meia da matina. E não é que as milhares de pessoas ali estavam com um pique inimaginável? Tocamos o show com energia renovada, é incrível como nesta hora, o sono desaparece! Brincamos muito com todos e experimentamos novas músicas do 80 volume 2. Aos poucos, fui notando o céu se clareando. O dia estava nascendo. Mandei um berro que ouvi quando fizemos um de nossos primeiros shows na cidade, ainda na década de 80, na Praça do Povo. em horário igualmente matutino: Despeeeeerta Campina!!!! Após o show atendemos a todos nos camarins e o sol já estava longe do horizonte quando finalmente fomos pros nossos quartos no hotel. Mas por pouco tempo: dormi três horas, pois teríamos compromissos em João Pessoa. Só que esta história eu vou precisar de mais tempo para contar….

Vista Alegria

sábado, abril 25th, 2009

A lona de Vista Alegre mais uma vez foi palco para nosso show. Já ganhamos as chaves do portão, brincamos. Poucos meses desde o último show e um público ainda maior veio nos assistir. Claro que, estando as lonas no estado em que estão, conforme havia dito no último post, os problemas aconteceram. Tivemos tantos, mas tantos problemas com o som que foi necessário atrasarmos em quase uma hora e meia nossa entrada no palco, e consequentemente a da galera no recinto. Ainda bem que tivemos ajuda dos amigos. Nilo Nunes, guitarrista do Uns e Outros, mora perto e nos ajudou cedendo cabos e equipamento para ‘salvar o som’. Ainda bem que a Lona tem uma área externa boa e deu para minimizar o desconforto. Na hora do show, cantei no meio da galera ( o palco bem baixo funciona muito bem para isto). É legal ressaltar que mesmo com um palco tão baixo, as invasões não ocorrem, a galera só sobe quando chamada. Acho que é realmente porque, cada vez mais, o Biquíni lá é de casa, o que torna nossa emoção de perder de vista. Vista alegre, Vista alegria, vista Biquíni!

Gravatá e a nova ordem

sábado, abril 25th, 2009

A Páscoa veio para nós num show na sexta-feira. Pela primeira vez tocaríamos em Gravatá, no interior de Pernambuco. A viagem foi tranquila e ficamos hospedados em Recife, a uma hora e meia da cidade. Depois de muitos anos, decidimos alterar a ordem do show significativamente. Fazer uma ordem de show é tão difícil quanto escalar a seleção brasileira e sempre tem alguém dizendo que “faltou tocar esta”. É uma questão quase matemática, onde “a ordem dos fatores” altera o produto. O show precisa ter uma fluência ou, como já disse aqui antes, foco. Ensaiamos várias idéias até chegar na ordem que abriria o show em Gravatá. Seria nossa primeira experiência. Faltando cinco minutos para começarmos, um pé d’água caiu na multidão. Pensei na hora, “começar hoje com Chove Chuva seria bom”, mas decidimos não fazer alterações de última hora. A galera não arredou o pé e ali ficou, debaixo de chuva cantando todas as canções. A música de Benjor acabou sendo nossa última, mas a chuva não havia parado e fez a festa do mesmo jeito, celebrando o Biquíni, a chuva…e alguns resfriados, com certeza! De todos os estados do Nordeste, Pernambuco está se revelando somente agora para nós. Devemos um show pra valer em Recife mas cidades como Garanhuns e agora Gravatá estão transformando cada show num acontecimento que traz gente de tudo quanto é canto. Sinto que ainda teremos muitas alegrias por lá.