Archive for setembro, 2005

Dossiê Brasília: os Segredos dos Presidentes – Geneton Moraes Neto

domingo, setembro 18th, 2005

Aos que acham que bastou assitir os melhores momentos no Fantástico, sugiro a leitura deste livro. Geneton mostrou na TV apenas a ponta do iceberg. O livro serve para nos dar uma visão mais humana de cada presidente, nos permite entender melhor suas idiossincrasias. Um documento histórico para quem quer entender os últimos 20 anos do poder executivo neste país.

Memórias de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Márquez

domingo, setembro 11th, 2005

Adoro ler Garcia Márquez. Chego a um ponto que me basta ler qualquer coisa, já que seu estilo é inconfundível, delicioso e invejável. Entretanto, este livro ainda por cima mistura erotismo, A Bela Adormecida e o amor na velhice com ingredientes que te fazem devorar suas 129 páginas com fervor. Está mais para um longo conto do que um curto romance, mas não importa. Estava com saudades de Gabo e fiquei feliz em relê-lo

Uma tour por Minas Gerais – Parte I :

domingo, setembro 11th, 2005

Setembro começou com uma tour por Minas Gerais. Começamos com um show aberto à população em Muriaé. O show foi bom, mas o que mais nos marcou, especialmente a mim e Miguel, foi a visita ao hospital do câncer que tem por lá. Uma super instalação bem montada, exemplo em toda região e que atende desde crianças até idosos. Conhecemos um garoto risonho de nome Patrocínio, outro jovem que sofria de câncer na pleura, outro ainda que tinha no pulmão, e um senhor com leucemia, pai de um garoto de quatro anos. Em todos os quartos, muita felicidade, animação e uma louca vontade de sair daquele hospital, como se fossem condenados por um crime que não cometeram (ou às vezes,não se deram conta de estar cometendo, no caso do fumante que comprometeu seu pulmão). Em cada um, a vontade de fazer coisas simples: pisar na terra, caminhar, ver o filho crescer, ir a uma igreja agradecer a graça concebida. Alguns se converteram a alguma religião, outros eram muito novos para os temores da vida lhes encaminhar para uma apelação divina, e como todos os jovens, eram cheios de esperança. Diante disso, eu e Miguel conversamos com cada um sobre o quanto era importante você nestas horas gostar muito de si. Entre olhos brilhando e marejados, passamos por todos os quartos, dando autógrafos, apertos de mão, ouvindo a história de cada um também. Saímos muito mexidos com a experiência. Já fizemos estas visitas antes: lar de cegos, manicômios, sempre que podemos dar alguma atenção, damos um jeito. Mas ao lidarmos com uma doença que, embora já esteja bem mais controlável, ainda mata, não havia como não pensar no futuro delas. Voltei pro quarto do hotel querendo chorar, mas achei que não deveria sentir pena, apenas pensar como foi bom para eu também pensar em coisas tãosimples que passam por nossas vidas e nem damos valor.
No dia seguinte foi a vez de visitarmos Congonhas, cidade histórica do interior de Minas. Tivemos a sorte de dispormos de um tempinho para ver a igreja principal e suas famosas esculturas de Aleijadinho. Tiramos muitas fotos, aproveitamos como bons turistas que somos. A beleza daquela cidade, patrimônio histórico, nos cativou. Mais tarde, chegou a hora do show, que aconteceu na boate Tribo. O local estava lotado, o palco era mínimo, encaixotado sob uma marquise. A temperatura era alta e com a iluminação tão próxima a nós, tudo virou um forno de microondas.
Começamos com o pé esquerdo. Em Chove Chuva, por vezes, atiro água no público. Com o calor que fazia ali, achei que não haveria problema, que a galera até se refrescaria. Por azar, a água atingiu uma luz negra sobre o público, explodindo em cacos bem quentes que caíram sobre alguns expectadores. Irritados, tacaram latas sobre nós. Uma acertou a pilastra, a centímetros de Coelho, que nada sabia. Outra acertou os teclados de Miguel. Antes de seguirmos o show, fui informado por eles e tratei de explicar ao público que não tínhamos intenção de agredir ninguém tacando água neles, embora eu mesmo só tenha sabido da lâmpada após o show. Assim sendo, pedimos novamente desculpas pelo transtorno. De todo, modo, o show foi tenso pois você nunca sabe se o recado foi bem dado ou se alguém poderia tacar algo novamente. Vira um jogo de ?atire ao pato? sendo que o pato é você. Ainda que isto tenha mexido conosco, buscamos não transparecer e seguimos o show mantendo o pique. Terminado o show, voltamos pro Rio.
Nossa próxima parada foi em Lima Duarte, às vésperas de mais um dia da independência. Mas que independência é esta? Só se for a de Portugal mesmo. Continuamos dependentes de tudo, devendo fortunas, pagando sempre com muito mais que deveríamos e sendo roubados por tantos que estão no governo, seja de uma simples prefeitura até o congresso que vota e aprova sempre seus incríveis aumentos de salários. Foi em tom de protesto que desabafamos naquela noite e foi assim que recebemos um caloroso apoio da população daquela cidade. Experimentamos uma nova introdução pra Timidez. Ficou muito boa. A cada dia, buscamos melhorar ainda mais o show. Foi um prazer tocar em Lima Duarte encerrando a primeira metade de nossa tour mineira.

Claro que é Rock :

domingo, setembro 11th, 2005

No dia seguinte, eu e Coelho já estávamos no Rio para a gravação do programa Claro Que É Rock, apresentado por Frejat e conosco e Leo Jaime como convidados. O resultado em breve passará no canal Multishow. Cantei com Coelho um blues do Queen, não muito conhecido, mas delicioso: Dreamer?s Ball. Também tocamos Quanto Tempo Demora Um Mês, com a banda de Frejat improvisando e dando novos tons e matizes à canção. Com Léo e Frejat, cantei Love Me Tender, do glorioso Elvis, e finalizamos todos no palco com Fama de Mau, do Roberto e Erasmo. Foi uma noite de Reis (elvis, RC) e Rainhas (Queen) do rock!

Festa Animada em Salvador:

domingo, setembro 11th, 2005

A Globo FM de Salvador fez aniversário de 17 anos. Tivemos a honra de sermos convidados para tocar na festa, na boate Fashion. Passei a segunda feira descansando muito. Me empanturrei de acarajé, descansei muito a voz, pois estava meio anasalado e mal saí do quarto de um hotel lindo a beira da praia, mas preferi cuidar de mim. O dia seguinte foi corrido, com entrevistas em TV, Rádio, Internet, quase não paramos. Quando chegou a noite, o show foi dez. Tocar para alguém que nos toca diariamente, ainda mais se tratando de uma rádio que prima pela qualidade dos artistas de seu repertório muito nos envaidece, claro. Foi com esta alegria, que atacamos o show. Manno Góes, nosso parceiro em Dani, estava por lá e, junto com Tuca, cantaram conosco esta canção. Após o show, mal sabia que emendaríamos numa noitada extensa com Manno, acompanhados ainda de Luisão (ex-Penelope) e sua mulher Fernanda, de bar em bar na madrugada de Salvador. É bom ter amigos na cidade!

O Festival do Inferno! :

domingo, setembro 11th, 2005

Vitória da Conquista já tinha nos dado o prazer de sua agitação em um show quentíssimo na LZ129 em Novembro de 2003. Voltar à cidade para o show maior, no festival de Inverno nos animou muito. Era de fato um reconhecimento. E ainda que a ressaca nos matasse em um vôo para São Paulo, para seguirmos pra Salvador e emendar em um avião pequeno para a cidade, havia uma boa expectativa no ar. Entretanto, nada podia nos espantar mais do que encontrarmos fãs de Fortaleza do fã clube Dani-se Tudo nos esperando na porta do hotel depois de 28 horas de viagem de ônibus!!!!.
Confesso que fiquei mais preocupado do que feliz. Isto porque acho que mostrar o apreço pela banda também tem limites. Enquanto alguém é fã e nos acompanha aqui e ali, achamos legal, claro. A partir do momento em que sabemos que as pessoas se sacrificam por nós, não só eu como todos da banda, ficamos constrangidos. Fanatismos geralmente são movidos por impulsos, ou seja, não se pensa muito nas conseqüências. E ninguém gosta de ter fãs inconseqüentes. Acreditamos que a regra básica para qualquer fã é: primeiro, goste muito, mas muito mesmo, de você, depois da banda. Do contrário, parece mais uma competição de quem faz uma loucura maior por nós. E é justamente quando achamos que quanto mais louca a aventura, pior. Não que isso nos irrite, claro que sentimos também honrados em ter gente vindo de tão longe só para nos ver, mas desde que isto não seja sacrificante. Não por menos, ao vermos a galera, disse logo: vocês são doidos! De todo modo, são maiores de idade e, se sabem o que fazem, tudo bem. Conversamos um pouco, ganhamos presentes, são sempre muito carinhosos.
Estava muito cansado para fazer qualquer coisa, e me meti no quarto de hotel para tentar dormir o sono dos justos. Acordei quase na hora de sairmos pro show.
O festival de inverno sugere uma contradição pois ninguém espera que seja frio no interior da Bahia. Ledo engano. Ricardo do Pato Fu já havia me ligado aconselhando um agasalho, pois eles tocaram no dia anterior. Eu sempre levo uma suéter para qualquer emergência como esta. E foi providencial. Vitória da Conquista estava com um vento gélido, impressionante! A noite seria dividida com Jorge Vercilo. Para um domingo, imaginávamos entrar no palco por volta de 11 e meia, meia noite. Não foi o que aconteceu. Além de entrar atrasado, Jorge Vercilo fez questão de tocar seu show completo, sem exceções. Entre as bandas, costuma-se ter um certo ?código de cavalheiros? em shows como este. Os shows são menores para não cansar o público, até porque, o show não é nem nosso nem dos outros participantes: é do festival!
Portanto, foi com pesar que recebemos o palco por volta das 2 da manhã.Até a troca ser consolidada, eram quase três da madrugada. Surpresa das surpresas, 8 mil pessoas nos esperavam com total carinho e animação, como se a segunda feira não raiasse dentro de algumas horas.
Não sei explicar o que acontece, mas o show veio com uma energia redobrada. Foi um daqueles shows de lavar a alma! O calor humano fez com que o festival de inverno pegasse fogo! Foi , como brincamos, o ?Festival do Inferno?. Ninguém usava mais casaco em pleno sereno da madrugada. Ficamos felizes em sair de lá com o convite para repetirmos a dose no ano que vem.
Entramos em um ônibus e apagamos a caminho de Salvador, onde descansaríamos por um dia.

Goiânia e a festa dos 600 :

domingo, setembro 11th, 2005

Nasci em Ituiutaba, interior de Minas. No começo da década de 70, meu pai se mudou pro Rio, ao passo que quase todos da minha família se mudaram para Goiânia. Durante minha infância, passei muitos dezembros visitando meus avós, tios e principalmente primos, surpreso com a intimidade que tinham das ruas, a segurança que sentiam ao andar pela cidade, coisa que no Rio de Janeiro, já naquela época, me era impossível. O tempo foi passando e fui me distanciando de meus primos, cada um se casando, tendo filhos, vivendo naturalmente suas vidas. Por ironia do destino, só fui tocar na cidade depois do ano 2000, quando meus avós já haviam morrido o que me fez praticamente apagar minhas lembranças daquela cidade. Havia um certo desgosto de ter tocado em tantas cidades do Brasil e até fora, mas não ter tido a oportunidade de tocar para os dois, tão velhinhos e tão orgulhosos de seu neto.
No entanto, Goiânia foi renascendo dentro de mim. Primeiro em um show no Autódromo. Em seguida, fizemos a famosa festa dos 600, onde terminamos todos felizes e bêbados após o show. Quando soubemos do convite para neste ano repetirmos a dose, a felicidade foi grande. Chegamos no meio da tarde, vindo de Taubaté em 14 h de ônibus. Estávamos cansados mas felizes. No hotel, dava para ouvirmos uma banda ensaiando, tocavam Muse, Audioslave e tantas outras bandas legais que Patrick saiu para procurar o esconderijo onde eles estavam tocando. Tive pouco tempo para ver um dos meus tios. Queria ter mais tempo para ver todos, mas show não é visita de família e temos que saber conciliar o trabalho com o lazer. Felizmente, embora cansados, eles foram com minha prima para o show. Foi um barato revê-los. Chegaram a 5 minutos de começar o show, praticamente não deu para conversarmos. Após a apresentação, foram pra casa, mas conversando com minha prima, soube que ficaram até o fim, o que muito me alegrou. O show foi divertidíssimo, incluindo surpresas como a participação de Kid Vinil, do Magazine, que discotecaria após nosso show, cantando Beth Balanço conosco. O repertório do Kid nas carrapetas seria composto de clássicos dos anos 80. A seleção estava tão boa, que ninguém da banda quis voltar pro hotel, algo que não me lembro mais quando foi a última vez que ocorreu. E mesmo sabendo que uma viagem longa até o interior da Bahia nos esperava, viramos a noite dançando sem parar. Pensei em minha avó e torci para que ela estivesse nos vendo.