Archive for dezembro, 2004

O Código Da Vinci – Dan Brown

terça-feira, dezembro 28th, 2004

Estava um pouco cético para ler este livro. O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco já havia suprido minhas vontades de enveredar por este caminho de Graal, Templários e Rosacruzes. Acontece que Dan Brown consegue te envolver desde o primeiro parágrafo. Capaz de encerrar cada capítulo com um mistério, você se sente quase que jogando um game, pulando de fase a cada página virada. Moral da história, quase 500 páginas devoradas em pouquíssimos dias.

Fortaleza – Domingo :

terça-feira, dezembro 28th, 2004

Logo após o show de sábado, minha maior preocupação era poupar a voz para o dia seguinte, tarefa nem um pouco fácil quando você tem uma série de entrevistas, sua adrenalina explode no sangue e você está a mil por hora. Fomos para os camarins e Coelho me pareceu muito preocupado. Os técnicos haviam me dito que as imagens ficaram ótimas e que o dia seguinte deveria ser mais focado no som. Talvez fosse este o problema de Coelho: estava se cobrando demais, achava que podíamos ter caprichado mais, feito um show sem erros. Busquei me distrair (o que quer que não tivesse funcionado no primeiro dia, gravaríamos no segundo). Falei o mínimo possível e, ao som dos Engenheiros no palco, fiz uma massagem para descansar. Foi assim que me arrastei para o quarto para tentar dormir, com os shows ainda rolando.

No dia seguinte, acordamos cedo para a passagem de som. Tratamos de registrar Cai Água, Cai Barraco e Meu Reino e ficaram muito boas, um bônus que mesmo os fãs que foram a todos os shows só verão com o DVD pronto.Em seguida fizemos uma reunião com os técnicos, produtores de diretores da Deckdisc, responsáveis pela gravação. Ouvimos atentamente as explicações sobre o que ficou bom, o que ficou ruim na noite anterior e decidimos nos concentrar nas músicas que precisavam de uma nova versão. O show de sábado muitas vezes revelava uma voz afobada, ansiosa e nem sempre este astral tinha a ver com a música cantada, algo natural e que passa desapercebido em qualquer show mas que pode ficar estranho ao se registrar num CD. Resumindo, deveríamos ser mais técnicos no domingo, mas sem perder o pique da noite anterior, esta era a equação que tínhamos de resolver e a resposta não era -b +- raiz de delta sobre 2a !

Era para tirarmos a tarde para descansar mas não conseguimos. Fotos para divulgação, entrevistas e mais uma vez a agitação e inquietude normais de um momento como este.

Cheguei cedo para ver os shows, assisti alguns e me arrumei nos camarins. Por motivos de continuidade, usamos as mesmas roupas da noite anterior. Além disso, certas atitudes tomadas no sábado teria de ser repetidas no domingo. Era estranho fazermos isto, já que não somos muito de ensaiar, tudo no show do Biquini é mais espontâneo. Ainda assim, tínhamos de chamar o mesmo convidado para cantar conosco, tinha de me molhar no mesmo instante e focar no show ao mesmo tempo. Deste modo, as cenas de sábado poderiam ser usadas no domingo. O que não esperávamos era a chuva. E ela veio.

Foram 15 minutos de chuva refrescando as mais de 30 mil pessoas presentes e esquentando minha cabeça. Para nossa sorte, eu havia me encharcado d´água nas primeiras músicas no sábado. Com isto, sem querer, salvei as cenas da noite anterior, pois aparecia ensopado. Coelho sempre sua muito e tb parecia molhado de chuva, e assim, a chuva acabou não atrapalhando tanto. Outro detalhe importante para nós foi a demora entre cada música, necessária para gravarmos com os instrumento 100% afinados. Se dependesse apenas de nossa vontade, teríamos feito um show mais emendado, mas a causa era nobre. O público, por sua vez, compreensivo e paciente, fez uma festa maior, como se agora soubesse o seu papel no DVD. Foi impressionante ver a galera nos apoiando em um momento tão especial. Vieram as participações de Papa Winnie, Roderic, cada momento parecia uma lembrança da noite anterior. Muita gente me cobrou não encerramos o festival, ficando para Fernanda Abreu e a bateria da Portela, mas como já expliquei, ter cenas com o dia nascendo num domingo e outras tiradas no breu da noite seriam incompatíveis para o DVD.

A pedidos da produção, gravamos Dani uma terceira vez e encerramos com Zé Ninguém.O vôo saia em seguida e, dos agradecimentos, a maior parte da galera se mandou pro aeroporto. Eu fiquei. Dormi muito e viajei à noite pro Rio. Na hora dos agradecimentos, Patrick simplesmente zuniu seu baixo para o público. Pelo que soubemos depois, não sobrou um pedaço para contar história. Entretanto, a história deste show, nós contaremos pra todos que não foram. . . .

O mês de dezembro foi dedicado a ouvirmos o que foi gravado. Chegamos a pensar em gravar uma quarta inédita no estúdio mas acabou não acontecendo, já que ficaria muito diferente do clima ao vivo. Sem mixar, sem grandes mexidas, já nos emocionamos com o material gravado. A gravação está “quente”, dá pra sentir o público e a emoção de todos nos dois dias. Coelho já está cuidando da parte de vídeo e em breve vamos mixar, masterizar, editar o dvd e autorá-lo, fases fundamentais para a conclusão do trabalho.

Preciso de um tempo :

domingo, dezembro 19th, 2004

Muita gente tem cobrado atualizações neste blog mas a verdade é que estou precisando tirar um tempinho pra mim. Vou sumir por dez dias. Se for possível, nem verei internet. Com as baterias ‘recarregadas’ encerrarei a saga da gravação do DVD/CD ao vivo, bem como ainda outras aventuras, no Mato Grosso e em Sete Lagoas-MG.

Feliz Natal para todos.

Bruno

Fortaleza – Sábado :

domingo, dezembro 12th, 2004

Os dias que antecederam nossa gravação foram cercados de expectativa, emoção, inquietude e boas energias. Na quarta feira chegaram Miguel, Patrick, Gian e Alvaro. Na quinta veio Coelho e a equipe técnica. A partir de quinta, o Ceará Music começou a ferver. Começaram os primeiros shows. Vi alguns na quinta, quase nada na sexta (não por falta de vontade, mas por nervosismo mesmo) e o da Zélia no sábado. Minha maior preocupação era a voz. Constantemente chamado para entrevistas e divulgação, tentava não exagerar para não cansar a voz. Queria-a perfeita para os shows de sábado e domingo. Foi um exercício de paciência lidar com esta ansiedade. Na sexta, tivemos um encontro com o #biquinicavadao, um super fã clube de Fortaleza que nos recebeu com imenso carinho numa sala do hotel Marina Park. Eles se comunicam muito via chat na internet e eu vivia prometendo um bate papo, coisa que nunca acontecia. Por que não fazer um chat ao vivo e a cores? E assim, com todos presentes, fomos sabatinados, rimos e nos descontraímos muito. Foi uma forma de sentir boas vibrações para os shows que viriam. Mas não somente os fãs nos davam esta força. Todos os artistas deram a sua energia positiva: Pato Fu, Zelia Duncan, Capital Inicial,Detonautas, Paralamas, Charly Brown Jr., Los Hermanos, estes foram apenas alguns dos nomes que, com um abraço, uma palavra de experiência, apenas um olhar e um sorriso, nos deram uma força extra para entrar no palco.

Ainda tínhamos alguns problemas. A começar pela falta de ensaio com Papa Winnie, que havia chegado da Itália na quarta, mas não tínhamos conseguido um lugar para testarmos nossa idéia de juntar You Are My Sunshine com Vento Ventania. A solução foi fazermos uma bagunça completa no quarto mesmo. Ensinei os versos de Vento para ele cantar. Ficou com um delicioso sotaque caribenho. Um barato! Ufa! Um problema a menos ;-)

Sábado de manhã começava nossa jornada. Passaríamos o som gravando Cai Agua Cai Barraco e Meu Reino. O tempo para fazermos isto era curto e outros artistas precisariam ocupar o palco ainda naquela manhã. Tivemos inúmeros problemas técnicos, e mal gravamos uma música. Pelo menos, deixamos tudo pronto para o dia seguinte. Não foi uma boa maneira de começarmos mas tínhamos de ter calma. A tarde foi passando e mal conseguíamos descansar. Como de praxe, segui à risca meu ritual que sempre faço no Ceará Music: fui falar com as pessoas que estavam na primeira fila no portão de entrada, prontas para entrarem. Valorizo muito quem chega tão cedo, mesmo que não tenham vindo para nos ver. É minha maneira de agradecer o carinho que têm pela música como um todo. Falei com todos presentes e me dirigi ao quarto para descansar um pouco. Difícil. Vesti-me e decidi me mandar pros camarins, onde fiz aquecimento da voz seguindo a cartilha de minha fonoaudióloga.

Chegou a hora! O palco sendo montado a animação de todos, a euforia. Por um momento, senti aquela embargada na voz, uma vontade de chorar. Pensei em como foi dura esta caminhada até esta noite, como brigamos para que isto acontecesse. Meu empresário havia conversado comigo sobre os custos altos na semana anterior, sobre a possibilidade de passarmos o ano seguinte fazendo muitos shows só pra pagar a investida, mas vendo a multidão, vendo a expectativa, eu só repetia dentro de mim que havia valido a pena. Segurei o choro, respirei fundo, dei um abraço em todos e fomos fazer o show.

O carinho não poderia ter sido maior. Uma multidão de sorrisos, braços ao céu, uma lua cheia diante da gente, cabeças a perder de vista num mar humano de trinta e oito mil pessoas! Foi um show marcante e que pareceu durar cinco minutos. No meio dele, a surpresa: decidimos chamar um fã do público para cantar conosco No Mundo da Lua e termos isto registrado no DVD. O escolhido foi Roderic, que adora a banda e sempre nos prestigiou desde 86, tendo até participado no Ceará Music de 2001. A surpresa maior foi dele, pois não havíamos lhe contado nada. Apenas pedi a duas pessoas para mantê-lo na primeira fila, bem acessível para rolar sua participação. Nos discos ao vivo, sempre acontece de terem convidados especiais. O Biquini achava que este convidado tinha que vir do público. E Roderic, emocionado, nos emocionou. Vagava pelo palco sem compreender. Era isso mesmo? Vou estar no CD e DVD? Nem a gravadora sabia! Tiveram que redigir um contrato urgente para ele participar do disco ! Veio então Papa Winnie para cantar conosco. A sua participação foi igualmente marcante. Ele tem um carisma e tanto. Logo cantamos Vento Ventania+You Are My Sunshine e a multidão seguiu com total carinho, ritmo nas mãos e coro afinado.

Ao final do show, estava super feliz. Teríamos um outro show para fazer no domingo, mas se fosse preciso, o DVD já tinha registrado as imagens necessárias.

(continua…)

Fortaleza :

quarta-feira, dezembro 8th, 2004

Passadas duas semanas de nossa ida a Fortaleza, talvez agora eu possa escrever com calma um pouco sobre o que aconteceu. Talvez agora consiga juntar os pedaços desta imensa novela onde este blog, sempre atualizado, teve que parar um pouco de contar as coisas. E foram tantas que decidi contar gravação do DVD em Fortaleza terá que ser dividida em partes

Onde Estávamos Mesmo?

Primeiramente vamos recapitular. Em Junho, após o show ‘sold-out’ no Mucuripe (que se tornou recorde de público na casa), nos reunimos com nosso empresário. Haveria mudança de planos. Entre várias opções de lugares para gravarmos o disco, queríamos que ele considerasse Fortaleza, pela energia total da galera e a certeza de belas imagens. Foram duas horas de conversas até que ele aceitasse a loucura. Disse-nos então que seria um parto (por questões de logística, custo alto de passagens) mas que tentaríamos. Após um mês havia um sinal positivo. Gravarmos no mesmo Mucuripe. Tudo estava indo muito bem e acabamos anunciando a data para o fim de agosto. Nos precipitamos. Ainda haviam muitos detalhes a serem vistos. Veio um adiamento, cartas iradas de fãs, outras se dizendo decepcionadas conosco por encher-lhes de esperança. Mais dois adiamentos e fomos forçados a comunicar o cancelamento.

Fica difícil explicar a quem não sabe, as dificuldades de se gravar um DVD, mas para tentar resumir, existia uma lista de 180 ítens a serem vistos e organizados para podermos gravar o disco tão longe de casa. Para piorar a situação (e agora revelamos) estávamos definitivamente desligados de nossa gravadora Universal (poucos notaram, de fato, porque não noticiamos isto formalmente e porque continuamos a fazer shows e eventualmente aparecer na TV. Realmente nada tinha mudado muito). Sem uma gravadora para tocar este projeto adiante, o resultado era nós fazermos o disco independente. Gravar o disco não seria tanto problema, mas gravar as cenas tem um custo muito alto, como havia dito. Antes que desistíssemos, surgiu a oferta de gravarmos ao vivo no Ceará Music. Conforme a idéia foi crescendo, o universo começou finalmente conspirar a nosso favor. Tivemos uma reunião na Deckdisc e a gravadora apoiou a idéia do disco ao vivo com o Biquini. Voltávamos a ter uma casa. Mas muita coisa precisava ser resolvida ainda.

A maior parte das gravações ao vivo são realizadas em duas sessões. Se uma cena ou execução fica ruim, outra pode ser aproveitada. No entanto, estas gravações costumam ser feitas em um show particular, não num evento para mais de vinte bandas! Nestas horas, tudo fica mais difícil de ser coordenado. Confesso que, mesmo com todos os sinais positivos da Deckdisc, do Ceará Music, da D&E eventos, e de nosso empresário, muita coisa ainda faltava a ser vista e acertada quando cheguei na terça feira, 23 de Novembro no Marina Park. Coelho estava a mil com a direção, preparando videos para cada música, trocando idéias com a equipe de filmagem. Miguel havia tido uma pane no computador na semana anterior e teve de reprogramar tudo para a gravação. Birita, assim como eu, estava tenso, talvez só acreditando quando chegasse a hora do agradecimento no show de domingo.

Energia Concentrada!

Terça de manhã, havíamos ensaiado pela última vez. Nosso convidado especial, o cantor Papa Winnie não havia chegado da Itália e precisávamos ver a música com ele também. O jeito seria ensaiar em algum estúdio ou mesmo num quarto de hotel durante a semana. No meio de nosso ensaio, no Rio, batem à porta. Abrimos e vimos Vitinho, do LS Jack.”Pessoal! Surpresa!”, ele gritou, acompanhado de seu empresário Zé Henrique. Já havíamos ficado muito contentes em vê-los mas a surpresa mesmo era a presença de Marquinhos Menna! Corremos para abraça-lo. Ele está bem, melhorando a cada dia. No estúdio acima do nosso, começou a ensaiar novamente com a banda e parou para nos dar um alô. Foi uma das melhores coisas que me aconteceu nesta semana que antecedeu a gravação. Uma energia e tanto! De repente, lá estava eu, tão preocupado com tantas coisas e ele, com dificuldades muito maiores que as nossas, feliz e animado por dar um passo de cada vez na retomada de sua carreira. Guardei aquela energia comigo. Precisaria usá-la em Fortaleza. Obrigado, Marquinhos!

(continua)