Archive for novembro, 2003

Meu Querido Pônei:

terça-feira, novembro 25th, 2003

Em 1989, após um ano sem lançar, gravamos o Lp Zé, contendo as músicas Teoria, Bem Vindo Ao Mundo Adulto e Meu Reino com boa execução. A gravadora entretanto estava em profunda crise administrativa e o resultado foi um disco meio que engavetado após dois meses de lançamento e baixas vendagens. Os resultados colhidos com Meu Reino e Bem Vindo… foram fruto de nossa insistência, bem como o apoio de alguns radialistas que apostavam no Biquini. Bem, tudo isto para lhes contar que ficamos apertados de grana naquela época.

Consegui então um emprego inusitado: cantar no coral contratado pela Herbert Richards como ‘free lancer’ nas dublagens de desenhos animados. Foi assim que conheci muita gente boa, como Branca Monjardim, seu marido Mário (vulgo ‘Salsicha’ do Scooby Doo), sua filha Leila, os irmãos Selton e Danton Melo, e mais uma turma de dubladores geniais.

O que esta galera faz é puro milagre. Os desenhos são gravados originalmente em vários canais, nos EUA, com arranjos separados, tudo que tem direito. Chegam no Brasil com apenas um ou dois canais para serem dublados, incluindo corais, efeitos de voz, tudo isto usando apenas um microfone no centro captando tudo em um take só! O erro de um comprometia tudo. Proibido desafinar (nem havia computador para corrigir eventuais deslizes).

Foi uma escola e tanto! Aprendi ‘no grito’ a arranjar e abrir vozes, dosar volume, timbrar e muito mais. Como a minha voz era relativamente conhecida e eu viajava muito, não tinha a menor chance de conseguir um personagem de destaque. Imagine se precisassem de mim e estivesse no interior dando show? Naquele tempo nem havia celular para me acharem. Portanto, já era bom demais estar ali do lado de tantos mestres me dublagem e fazendo parte do coral.

No primeiro dia, estava ansioso para participar daquilo tudo. Branca, que arregimentava e coordenava as gravações disse para mim que seria apresentado a todos e que no final gravaria algo, ganhando meu primeiro ‘din din’. Acontece que, embora tenha chegado cedo, não houve muitos progressos no dia e não havia o que gravar após seis horas de trabalho árduo deles. Eu estava impressionado com aquele ambiente, me divertindo e fazendo amizades, e nem notei que o dia se passou num piscar de olhos.

Eis que a Branca chegou pra mim e disse-me sem graça: ‘Poxa, Bruno, não tenho como colocar você hoje…”.De repente, sua voz parou no ar, seu olhar foi até a esquina e em seguida me perguntou: Você sabe cantar em falsete? Bem fininho?

- “Claro que sim” - respondi prontamente. Não era tanto a grana que me interessava naquele momento; o que queria mesmo era poder aproveitar meu ‘brinquedo novo’, após ver todos dublarem.

- Que bom! Eu tenho um coral agora para três mulheres, mas posso transformar o trio em quarteto sem problemas e assim você ganha algo por ter vindo hoje aqui. Amanhã a gente se organiza melhor.

E foi assim que eu estreei no mundo da dublagem. Acreditem se quiser: cantei o tema de abertura de Meu Querido Pônei:

“Com alegria e fantasia

Eu sei que vamos brincar

Querido Pônei

Querido Pônei…”

Toda vez que passava na TV eu tinha que parar para ver e rir, mas rir MUITO! Uma amiga minha costumava me ligar sempre que via o programa, só para dizer que estava incrédula que uma das vozes era a minha.

- Bruno, estou vendo Meu Querido Pônei.

- Que bom – já respondia com um sorriso no rosto.

- VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO! Acabou minha fantasia! Você é um dos pôneis!

- Calma, eu só dublei a música de abertura…

- Eu não acredito, não a-cre-di-to ….- desabafava e desligava.

Fiz poucos ‘freelas’. Primeiro porque mesmo com a falta de shows, estávamos sempre viajando para divulgar o Biquini e com isto eu não era encontrado com facilidade. Ainda sim, deu pra cantar em programas como Garfield, Disneylândia e outros que, sinceramente, não me lembro.

Espero um dia voltar a participar do mundo das dublagens. Alguns colegas meus já fizeram filmes da Disney e eu gostaria de cantar tb em um destes personagens, quem sabe um vilão? Afinal de mocinhos bonzinhos, me basta o pônei. E aos que me sacaneiam com esta história, prefiro ser o querido pônei do que a egüinha pocotó ;-)

saludos!

Tudo de bom em Ibitinga:

domingo, novembro 23rd, 2003

São Paulo é o estado do sudeste que menos vê show do Biquini, infelizmente. Muita gente nos cobra uma maior presença. Afinal, somos capazes de cruza-lo todo para tocar no triângulo mineiro, como fizemos na semana passada. Seria fácil aproveitarmos a viagem e parar para tocar em uma cidade no caminho. Acontece que as pessoas que contratam shows se valem normalmente pelo que tá em moda na TV ou por acreditar na banda ou por já ter tido alguma experiência positiva. E foi acreditando no Biquini que comparecemos à festa do Hawaii na cidade de Ibitinga, famosa por seus bordados. O evento, extremamente bem organizado, já tinha mais de cinco mil ingressos vendidos no momento em que chegamos de viagem, após dez horinhas de ônibus. Tudo correu super bem. Fizemos entrevistas na Rádio Ternura FM, participamos do programa da TV Local e quando chegou a hora, o ginásio estava tomado. Mesmo assim, costumo dizer que não existe jogo ganho e temos que entrar no palco para decidir. Surpresas acontecem, como por exemplo o inexplicável defeito do baixo do Patrick, que ficou duas músicas sem tocar. Ganhou o público com Coelho sacando Por Enquanto da sua cartola, ao mesmo tempo em que consertavam o problema do Patrick. No fim do show, uma surpresa: A rádio Ternura me chamou ao palco para dar os parabéns pelo dia 18 e nos entregou uma placa comemorativa ao evento. Muito gentil da parte deles. E muita zona no palco enquanto rolava o parabéns ;-)

Ficamos sabendo que Juvenília era uma das músicas mais tocadas por lá. Demos um jeito de tocá-la (já tinha mais de um ano e meio que não a executávamos) e foi muito legal ver a galera cantando conosco.

Esperamos que festas como esta e o boca-a-boca da galera, aumentem nossas visitas ao estado de São Paulo.

abraços

Bruno

Quem foi ao show de Perdizes?:

segunda-feira, novembro 17th, 2003

Viagem de quatorze horas para Perdizes-MG. Saímos às dez da noite de sexta e levamos um monte de videos para ver. Não é fácil juntar os gostos de todo mundo e ainda por cima ver filmes em duas tevês de 14 polegadas num ônibus chacoalhante. Com o passar dos anos descobrimos que os filmes de porrada funcionam melhor que os dramas e filmes-cabeça. Nada de Central do Brasil nestas horas, o negócio é ver Hulk mesmo. Aliás, a gente não leva nenhum filme brasileiro mesmo, porque é vital ter legenda já que o som fica baixo. Levamos uns 4 ou 5 filmes e começamos a ver já na ida. Alguns dormem no meio. Mais tarde, sabemos que haverá outra sessão para os que não viram na primeira. E assim, sacolejando enquanto o ônibus sobe a serra, vamos passando o tempo. Tem aqueles que não ligam pra filmes e ficam ouvindo CDs. Eu costumo ler muito no ônibus, graças a uma técnica aprendida ainda quando cursava a faculdade de engenharia e levava uma hora para chegar ao campus. Devorei umas cento e cinqüenta páginas do livro 600ºC, sobre vulcões, que estou lendo agora. Tem ainda aqueles que ficam no bate papo até as 4 da matina e finalmente as pedras que dormem no instante em que entram no ônibus, como é o caso do Coelho, motivo de inveja total de Miguel, que sempre custa a dormir e sofre de dores de coluna em toda viagem.

Qua-qua-qua-qua-quatoooorze hora depois, chegamos à Perdizes-MG. Perdiz é um pássaro, para quem não sabe. E são duas estátuas gigantes de perdizes que nos recebem na entrada da cidade que fica no Triângulo Mineiro. Um calor abafado, nenhum restaurante aberto, a galera se alimentando com chocolates de um bar. Tratei de dormir um pouco na primeira cama parada das últimas 14 horas ;-)

Passamos o som e fizemos hora para o evento. De longe viamos uma tempestade no horizonte. Será que ela viria para nosso lado? Que pergunta! Por volta das nove, a chuva chegou. Pingos grossos, daqueles de matar inseto, mas espaçados. Foi o bastante para quase ninguém ir na hora do show. Uma pena ver a arena enorme com pouco mais de 200 pessoas. No entanto, foram estas duzentas pessoas que ficaram até o fim, mesmo com o temporal que caiu na segunda música, molhando-nos totalmente, sem falar ainda do som. Fomos obrigados a parar por alguns minutos até que tudo fosse consertado. Felizmente foi só uma chuva passageira e o equipamento não foi danificado. Logo em seguida, voltamos atacando. Não nos intimidamos com pouca gente. Para nós, se a galera está animada, a gente toca como se estivesse lotado! Qualidade vem antes de quantidade. E a festa seguiu até o fim com tudo que tem direito. Após o show, seguimos viagem para o Rio, pegando novamente 14 horas. Se na ida, o ar condicionado funcionou até bem demais, congelando todos, na volta foi o contrário: quebrou logo e o calor foi insuportável. E tome Vingador, Guerra Nas Estrelas, e outros filmes-porrada ;-)

Sideral Experience em Sampa:

domingo, novembro 16th, 2003

Nesta quarta feira cantei com Sideral no Blém Blém em São Paulo no seu projeto Sideral Experience. Um grande barato! Já havia participado em Belo Horizonte como já havia postado neste blog. Sideral apresentou suas novas músicas, além de um apanhado de seus discos #1 e Na Paz. Desta vez, Rogerinho, do Jota Quest, também participou cantando canções inéditas (Maria) e uma boa versão para Exagerado, de Cazuza. Eu cantei Tédio, Múmias e Zé Ninguém em versões ‘siderais’ muito boas. Logo logo, tudo virou uma grande jam session : Junior (ele mesmo, da Sandy) cantou Enrosca, de Fabio Jr., comigo e Rogerinho nos backing vocals. Beto Lee, filho de Rita, subiu e comandou outra guitarra. No fim, Sideral cantou com Luiza Possi e Lu Shiavo, uma cantora nova que vai dar muito o que falar. As experiências de Sideral continuam nesta quarta, 19. Se der, viajo pra Sampa só para curtir de novo ;0). Enquanto isso, rola a possibilidade do projeto aportar em Porto Alegre. Sideral é um ótimo guitarrista, compositor e cantor. Participar de seu show é algo que me renova. Sempre aprendo alguma coisa, além de encontrar bons amigos e me divertir. Valeu o convite, Wilsinho!

Hulk

domingo, novembro 9th, 2003

Falaram tão mal do filme que acabei vendo na TV! E devo dizer que gostei. Este domingo assisti o filme em meio a pipocas, refrigerante na cama e uma história que difere muito da do seriado que vi com Lou Ferigno no papel do monstro verde na década de 80. Nem mesmo o teminha comovente no piano tocado nos créditos restou para contar história. Como nunca fui muito fã de gibis marvel, nem sei dizer se é fiel à história, mas funcionou muito bem como sessão de domingo na TV. Sim, o Hulk parecia uma bola de ping pong verde e Ang Lee exagerou nos efeitos especiais. Mas, as vezes, o que queremos mesmo é um filme bobo para fechar a semana ;-)

A 600º Celsius – Stanley Williams, Fen Montaigne

sábado, novembro 8th, 2003

Sempre fui fascinado por vulcões desde pequeno. Na praia, brincava de fazê-los com areia, um copo de papel, água e gelo seco para soltar a fumacinha. Em 1997 fui ao Chile e acabei subindo o vulcão Villarica, uma experiência inesquecível, já que o mesmo se encontra em atividade. Quando vi este livro na loja não pensei duas vezes. O relato emocionante de Stanley detalha a vida daqueles que se dedicam aos vulcões e explica vários detalhes das atividades destas montanhas vivas.

O Amor Custa Caro

sexta-feira, novembro 7th, 2003

O Amor Custa Caro é uma comédia recheada de ótimos diálogos, bons atores e boas risadas. A história tem como pano de fundo os processos movidos entre casais que se separam, já que este é o esporte favorito dos americanos: processar o outro. Diversão garantida ;-)

Matrix Revolutions

sexta-feira, novembro 7th, 2003

Tive uma noite livre para ver Matrix Revolutions e o que posso dizer é que gostei, apesar das críticas que foram feitas aos irmãos Warshovski. Vamos entender uma coisa: isto é uma sequência. Sequências dificilmente são melhores que os filmes originais. Por quê? Porque os originais criam os personagens, suas características, mostram os truques mas te conquistam pelo argumento. Por incrível que pareça, me vi em Revolutions fazendo um paralelo com a saga de Guerra nas Estrelas (não estes últimos que sairam mas os de 78, 80 e 83). As guerras em ambos os filmes tem o mesmo efeito dramático. As naves sendo atacadas por sentinelas em meio aos corredores estreitos me fez lembrar os X-Wings na Estrela da Morte. Enfim, o filme serviu para dar um desfecho, mas sua graça esteve realmente nos efeitos especiais. Tanto faz o fim, assim como o final de O Retorno de Jedi não era importante, tanto faz se você não entendeu e apenas gostou de ver Smith dizer mais uma vez “Mr. Andersooon”. Matrix certamente foi o filme que mais abalou desde Guerra nas Estrelas, graças ao seu roteiro capaz de deixar todo mundo bolado. E, se você viu o primeiro e o reloaded, já deve ter visto o revolutions. Não perca ;-)

Reveillon:

segunda-feira, novembro 3rd, 2003

Primeiramente, obrigado ao Gravatá por indicar o Blog do Biquini na sua coluna no caderno de informática do O Globo, o que muito nos honra ;-) . Agora, a boa nova: Estaremos tocando em Fortaleza no dia 31 de Dezembro comemorando o Reveillon com os cearenses fechando 2003 com chave de ouro e começando 2004 com o pé direito. Ainda não sabemos os detalhes, isto está sendo visto pelo escritório. Portanto, não sabemos onde vai ser, como, quanto, nada disso. De todo modo, o que importa para nós é saber que voltaremos em breve aí! Valeu, pessoal!

Lipstick Traces – Manic Street Preachers

segunda-feira, novembro 3rd, 2003

Uma das melhores bandas que ouvi na década de 90 foi o Manic Street Preachers. Um vocal excelente e uma guitarra sempre criativa aliada a boas letras e melodias. A banda acaba de lançar um quitute para fãs como eu: um album duplo com os melhores b-sides!!! São 35 faixas contendo covers, inéditas e entrelinhas da história desta banda galesa. Para conhecê-los melhor, recomendo o disco Forever Delayed, um ‘the best of’ que saiu no ano passado. Este aqui é mais para quem conhece a banda pra valer, mas igualmente interessante.

eis um clipe legal deles: So Why So Sad