Archive for the ‘Show do Biquini’ Category

Mirandópolis e Riachão, aventuras e descobertas

quarta-feira, julho 28th, 2010

Viagens longas muitas vezes nos geram surpresas inimagináveis. Tudo começou com o show em Mirandópolis, interior de São Paulo. Pegamos um vôo para São José do Rio Preto e seguimos de van para a cidade. Era para ser uma viagem curta mas quebramos no meio do caminho e só chegamos à noite! Exaustos! No entanto, a festa dos motociclistas estava estourando na cidade e fomos muito bem recebidos. O show transcorreu normalmente mas em Chove Chuva, mais precisamente no momento em que faço o que já foi batizado de “dança das lanternas”, tivemos uma companhia extra: o ronco das motos.
Imagine, além do público nos acompanhando, as motos passaram a roncar seus motores acompanhando os movimentos da lanterna. Uma cena que deveria ter sido filmada! Seguimos quase que de imediato para Araçatuba, onde pegamos um vôo para São Paulo, Brasília, Imperatriz e mais cinco horas de carro até Riachão. No entanto, embora sem dormir, esta foi a parte mais bonita da viagem. Ao som de Roberto Carlos, o prefeito nos levou mostrando detalhes da paisagem, vegetação e belezas das chapadas. O primeiro show de rock na cidade teve estrutura, muita gente da região e agitação a mil. Até o prefeito estava à caráter, com roupas de tachas e colete preto. Seu filho, de quatro anos, assistia a tudo do lado do palco. Foi então que me lembrei que em sua casa tinha uma pequena bateria. Pedi que passassem por lá e a trouxessem. Foi a cena! O garoto tocou conosco no palco até o fim! Arrebentou!!!Impagável!

o menino e sua bateria assistindo ao show

No dia seguinte, teríamos de ficar até de noite e voltar para Imperatriz num vôo da madrugada que só chegaria em casa a poucos minutos do jogo Brasil e Chile. Miguel, Coelho, Birita e eu decidimos não arriscar e conseguimos um carro para nos levar e pegar um outro voo que pousaria no Rio de manhã cedo. Uma decisão que me fez arrepender e muito. Primeiro porque aproveitamos a manhã para conhecer as cachoeiras da região. Não tenho como descrevê-las. Imagine que de suas rochas brotam água quente que se mistura com a do rio. Resultado, uma água deliciosa, daquelas que, uma vez dentro, não se quer mais sair. Já ali bateu um arrependimento. O que era para ser um programa para o dia todo, foi resumido a poucos minutos. A volta foi longa e cansativa até o aeroporto. Escala em São Luis no meio da madrugada. Pelo menos o vôo era direto. Era. O Rio amanheceu com um forte nevoeiro e fomos obrigados a pousar em Belo Horizonte onde permanecemos em solo por quase três horas. Cansaço a toda prova! Chegamos um pouco antes apenas. Se arrependimento matasse… Agora, fico eu olhando as fotos de Riachão e me perguntando quando voltaremos à cidade. O Brasil esconde paraísos como este. Como é bom ter a chance de conhece-los!

Vitória com Sabor de vitória

sábado, junho 19th, 2010

Foram muitas as provações que tivemos que passar para sair sorrindo do palco neste show em Vitória: físicas, gustativas e psicológicas. As físicas foram matadoras: acordamos às 4 para pegar o primeiro voo para Vitória e a agenda de radio, TV e imprensa foi intercalada por momentos curtos que não me permitiram descansar até as 8 da noite. Era fazer uma rádio, voltar pro hotel, quarenta e cinco minutos depois, sair para outra rádio, voltar novamente pro hotel…uma loucura! Mal deitava a cabeça no travesseiro, já tinha que pensar em dormir o máximo que pudesse pois o despertador tocaria em 35 minutos! Ainda assim, passamos por uma ótima provação, ao almoçar no tradicional restaurante de moquecas do Pirão, uma instituição no país! O prato estava digno de se comer sob a mesa, como diria Ana Maria Braga. Pausa para fotos com o dono do restaurante, o simpaticíssimo Pirão. Volta pro hotel enquanto descobríamos que nossos dois técnicos de som estavam passando por apuros no hospital. Um tinha fissurado o pé e estava impossibilitado de andar. O outro estava com trinta e nove de febre e princípio de pneumonia! Uma loucura. Ambos, entretanto, se esforçaram ao máximo para deixar tudo preparado para o importante show desta noite. E tome van pra fazer mais rádio! Em meio a engarrafamentos e muito cansaço, ainda passamos no local do show para plantarmos uma muda de pau brasil. Participaram Miguel e eu. O local do plantio foi na própria casa de shows, Ilha Acústico, que aliás, é de uma beleza sem par. Lugar perfeito para cumprirmos mais uma etapa do projeto Eu Faço Cultura, da CAIXA. Entramos no palco e fomos avisando. Quando acabar o show, queremos que vocês saiam daqui como se tivessem ganhado a Copa do Mundo. E o show foi endiabrado! Animação do começo ao fim. Vitória é uma cidade enigma: tão perto do Rio, tão raro de tocarmos. Fazer um show como o desta noite teve um gosto de vitória, de superação, de moqueca e de quero mais!

Frio abaixo em Rio Acima

sábado, junho 19th, 2010

Saímos com uma certa folga do Lual do Jammil. Um vento gélido parecia furar nossas roupas. O cansaço era enorme e torcíamos para que Rio Acima fosse um pouco mais quente. Ledo engano. Não havia vento, mas a temperatura era mais baixa ainda. Eu tinha que manter a voz aquecida, e fazia exercícios fonoterápicos para encarar quase duas horas a mais. A rua principal estava tomada. Tivemos tempo suficiente para montar o equipamento, aguardar a queima de fogos e contagem regressiva para enfim partirmos para nossa segunda etapa no sábado. Fomos recebidos calorosamente por muitos fãs do rock brasileiro. O show correu tão bem que mal dava pra acreditar que havíamos tocado algumas horas antes. Fechamos a noite atendendo uma enorme fila de fãs. Segui para o ônibus e encaramos uma viagem pra lá de friorenta. Minas sabe ser gelada quando quer. Graças a Deus, também sabe ser muito calorosa.

O Lual a dez graus

sábado, junho 19th, 2010

Acordo no hotel. Que hotel? Demoro para ligar meus cabos de manhã. Ah, é o de Belo Horizonte, beleza. Com calma, me preparo para o dia. Dois shows seguidos. Um aqui, na capital mineira. Outro, a uma hora de viagem em Rio Acima-MG. Tarde tranquila, almoçando com o empresário, tomando decisões, discutindo planos futuros. Saímos direto pro local do show.
Tocar com o Jammil é sempre um prazer. Temos uma amizade especial com todos. O Lual do Jammil é um sucesso e eles são queridíssimos em Belo Horizonte. Fazer a abertura foi um convite que aceitamos honrosamente. No entanto, não estávamos preparados pro frio que faria no local. No alto de um morro, ventando horrores e temperaturas beirando os dez graus, eu não acreditei quando cheguei no palco, que nos brindava com aquele minuano polar sem dó nem piedade. Era tão louco que, pela primeira vez na vida, eu vi gente usando abada com suéter!
Dia dos namorados. Ao menos eles estavam bem abraçadinhos! Quanto à nós, o jeito era pular sem parar. Talvez por isso mesmo, o show foi esquentando com o passar do tempo. Quando terminamos, a festa era completa e o show do Biquíni serviu literalmente de “aquecimento” pro show do Jammil. Embora já tivéssemos tocado juntos, o encontro não rolou no palco porque tínhamos de correr pro show seguinte, em Rio Acima. Não sem antes aconselhar a Tuca, Manno e Beto de, no próximo ano, fabricarem abadas de lã ;-)

Churrasco noturno com os amigos

sábado, junho 19th, 2010

O churrascão do XV Veranistas é famoso em Belo Horizonte. Churrasco à noite? Pois é. Embora não esteja errado, confesso que sempre associo um desfile de carnes combinando com um dia ensolarado. O dia foi puxado, visitando sites, rádios, TVs, jogando conversa fora e se preparando para a noite. Como convidado especial, chamei Ricardo Koctus, amigo do Pato Fu e que recentemente lançou um disco solo muito legal. Ele contou grandes novidades do Pato, mas prefiro que vocês mesmos confiram no site deles. Sou suspeito para falar. No show, ele entrou para cantar Tédio e arrasou! Melhor ainda quando voltamos pro bis. Primeiro, cantamos atendendo a pedidos insistentes de de grande parte do público a música Domingo, do nosso primeiro disco Cidades em Torrente. Há mais de dez anos que não a tocávamos. Depois, Coelho chamou Ricardo Koctus para tocar baixo em Chove Chuva. E que groove!! Pra misturada ficar perfeita, Magal foi pra guitarra e Coelho detonou nos tambores. Resumo do churrasco: show ao ponto, macio e que só acabou quando todo mundo ficou satisfeito ;)

Novas cidades a descobrir

sábado, junho 19th, 2010

O Brasil tem mais de 5 mil municípios. Na última vez que olhei a agenda do site, o banco de dados apontava um total de 574 cidades visitadas pela banda. Ou seja: CARAMBA! De cada dez cidades brasileiras, uma eu conheço! Que incrível! Das 1001 coisas que deveria conhecer no Brasil antes de morrer, segundo o Guia Quatro Rodas, já bati cartão em 150! É muito bom conhecer o país assim, mesmo sabendo que nem sempre temos tempo para desfrutar como turistas.
Bom dia Goiatuba, bom dia Marilena e Chuí. Assim começa a canção Goiatuba, do disco biquini.com.br. Faz parte de nossa vida conhecer novas cidades, novas pessoas, descobrir recantos como Santana do Deserto, onde um hotel charmoso e aconchegante nos aguardava após uma viagem rápida saindo do Rio de Janeiro. A pacata cidade teve que aguardar um pouco pelo show em função de problemas de energia elétrica, claro, pois a energia dos fãs era capaz de substituir muitos geradores. Próxima parada, Balneário Barra do Sul, em Santa Catarina. Nada é muito lógico na logística de um show. A menor distância entre duas apresentações nunca é uma linha reta, parecendo mais uma grande teia de aranha cuidadosamente construída ligando os pontos das cidades por onde passamos. Experimente fazer isto com o mapa da agenda! Passamos a tarde toda em Joinville, dormindo e se recuperando de uma viagem cansativa. A noite, seguimos pro Balneário e o público da arena montada na festa da Tainha nos recebeu com muito carinho. Carinho este que vira quase uma atração turística. Muitas vezes não temos tempo de conhecer as belezas naturais de uma cidade, mas nos encantamos com o sorriso das pessoas e aquilo que elas tem de melhor para dar a um grupo de malucos itinerantes como o Biquíni Cavadão: hospitalidade, carinho, aconchego e nossas músicas cantadas na ponta da língua. É…o Brasil é realmente um país lindo de morrer!

O show que faltava em Curitiba

sábado, junho 19th, 2010

Foram 22 show em Curitiba na década de 90. Apenas três nos últimos dez anos. O curioso é que fizemos muitos shows no interior do Paraná, nesta década. Queríamos reverter este quadro e a oportunidade apareceu numa quarta feira, véspera de feriado, numa casa badalada, a Momentai. Para isso, fizemos uma divulgação matadora pela cidade. Matadora mesmo! Da hora em que acordamos para viajar até o fim do show, praticamente não tivemos um minuto de descanso. Muitas rádios, TVs, entrevistas, além de uma passagem de som rigorosa. Para tanto esforço, a recompensa veio na platéia. Fãs de todas as idades e de todas as épocas se apinharam em frente ao palco. Lado a lado, reconhecíamos os fãs da década de 90, aqueles que pela primeira vez nos viam ao vivo e os amigos de longa data que vieram nos prestigiar. Estávamos em dívida com Curitiba, com certeza, e resolvemos pagar com juros! A casa estava cheia e foi aquele show de lavar a alma. O show que faltava a gente fazer, depois de tantos anos. Só resta agora torcer para que nossa volta seja breve.

Brasília com Justiça

sábado, junho 19th, 2010

O show que fizemos e Brasília começou com uma viagem na madrugada, vindo de Belém. Quando chegamos no hotel, tomei café e desmaiei na cama por longas horas. Quase nada fiz durante o dia. Trancafiado no quarto, apenas recebi a visita de um amigo e bati um longo papo sobre música. Logo era chegada a hora de me preparar pro show. A festa era fechada pro SindiJUS do Sindicato dos funcionários do Ministério da Justiça. Milhares de fãs nos esperavam na arena montada ao lado do estádio Mané Garrincha. No anos passado, tivemos uma ótima noite no FIB (Festival de Inverno de Brasília). Bem cheio, a galera aguardou nossa chegada pacientemente. Cantaram do começo ao fim! Tivemos ainda tudo isto registrado em fotos. Um show delicioso na capital federal, e me desculpem o trocadilho, mas com toda justiça ;-)

Belém, sempre emocionante!

sábado, junho 12th, 2010

Tocar no Pará já nos rendeu ótimos posts aqui no Blog. Este não podia ser diferente. Nossa quarta participação no Fest Music, desde 2005. Uma noite especial com Skank e abertura de Maria Gadú, com quem viajamos no avião. Um dia dedicado à boa música, com certeza. Foi um dia com muita divulgação e só paramos para descansar às 8 da noite. Visitamos rádios, TVs, não paramos um minuto. Precisamos acertar o telão para sincronizar nossas imagens Tínhamos ainda o problema do horário, já que teríamos que sair direto do show para o aeroporto. Um show tenso nos detalhes e um público carinhoso nos esperando. A troca de palco entre o show do Skank e o do Biquini exigiu um esforço grande de todos da equipe técnica, pois quanto mais rápido fôssemos, mais tocaríamos. Enquanto isso, o papo rolou solto nos camarins com Samuel, Lelo, Henrique e Haroldo . Lembramo-nos de muita coisa que rolou na década de 90, quando eles começaram. Lembramo-nos dos ônibus com baratas que pegávamos, das pin-ups da década de 80, de posts no twitter e muito mais até a hora de subirmos ao palco. Durante o show, Henrique acabou sendo nosso convidado em Vento Ventania. Mais que cantar, ele fez a festa conosco. Um cara muito querido, aliás como todos do Skank. Uma festa que nos fez matar nossas saudades. Já tinha quase um ano que não tocávamos na cidade. Os paraenses são demais!

Por Trás De Um Show Corporativo

sábado, junho 12th, 2010

Shows corporativos são aquelas festas fechadas em que somente os convidados de quem nos contratou são autorizados a nos assistir. Um show particular. O melhor exemplo que me vem à cabeça é o de uma festa de debutaste ou de casamento. Você é quem decide quem vai chamar, não tem como ninguém mais entrar – a não ser como penetra!
Já fizemos shows assim para funcionários de uma fábrica, mondadoras de automóveis, laboratórios farmacêuticos, cursos de idiomas entre outras grandes empresas do ramo. O evento sempre é impecável. Ótimo som e luz, sempre bem recebidos e acomodados. Por vezes temos que ficar escondidos o dia inteiro por sermos uma “atração surpresa”. Foi este o caso. Passamos o dia enfurnados no quarto de hotel em um resort incrível em Florianópolis. E quer saber? Foi ótimo. Estávamos mortos do show anterior no Rio, não havíamos dormido no voo para Floripa e uma chuva fria só nos deu uma alternativa, a melhor delas: ficar dormindo sob as cobertas pesadas de um hotel estrelado. Só acordei quando era noite. Jantei e me preparei pro show. No dia anterior tocamos para uma casa lotada e agora lá estávamos num palco excelente, som de primeira e cento e cinqüenta pessoas na platéia, se tanto. No entanto, acreditem, foi divertidíssimo. Show para todos nós não tem a ver com a quantidade de público presente e sim com a energia desprendida por cada um ali naquele momento. Os presentes ali começaram assistindo timidamente. A graça foi fazer cada um se soltar, cantar, pular dançar e tocar o maior reboou! No final, estávamos tocando no meio deles, subindo em mesas, coisa de louco. Terminamos o show com a certeza que a galera saiu super satisfeita. E isso é o que nos move. Sempre.

Fervendo a 40º na Lapa!

sábado, junho 12th, 2010

Isso é que dá acostumar mal o Rio de Janeiro (Rsss). Depois de um ano tocando 14 vezes na cidade, fazer nossa primeira apresentação somente em maio nos rendeu muitos emails, tweets e cobranças. E o local para nosso reencontro foi na gafieira Lapa 40º. Uma gafieira? Quando fui informado, meu medo maior era que o público não comparecesse por ser uma casa que – achava eu – não ter a tradição de shows de rock. Estava enganado. Em todos os sentidos. Em primeiro lugar, o Lapa 40º nos atendeu com muita hospitalidade, excelente estrutura, preços compatíveis e disposto a fazer com que o show acontecesse da melhor maneira possível. Também soube que muita gente boa já havia tocado ali. De fato, havia uma certa ignorância minha mesmo sobre o assunto. Coisa de quem, de tanto viajar para tocar em outros lugares do país, já não sabe mais qual é a “boa da noite”. Resultado: uma casa cheia e acolhedora. Um ótimo ambiente e um dos melhores shows que fizemos no Rio nos últimos anos. O público ali pertinho da gente deu um calor especial ao evento. Durante a passagem de som, gravamos um miniclipe que colocaremos em breve no YouTube com uma versão acústica de Acordar Pra Sempre Com Você. Também fizemos algumas gravações para o Cifra TV ensinando truques para tocar músicas do Biquíni. Tédio é uma delas. Aguardem outras em breve. É de meu costume atender a todos no camarim. No entanto, meu empresário que é de São Paulo, deu um pulo no show e tivemos que ter uma longa conversa logo após a apresentação. Me isolei num camarim para discutirmos assuntos relativos à banda. Quando saí, já era tarde. Fica pra próxima, né gente? Finalizando, só posso agradecer a todos da casa. O show fez a Lapa ferver e guardamos um novo endereço em nosso coração!

Juiz de Fora, tocando em casa

sábado, junho 12th, 2010

A estrada Rio-Juiz de Fora é uma das mais modernas e bonitas que eu conheço. Durante um bom tempo passei por ela para aproveitar meus fins de semana numa chácara de amigos. Conheço bem suas curvas e confesso que quando entramos nela, voltando de algum show de Minas, mesmo a quase três horas de viagem ainda, me sinto em casa. Por isso mesmo, por achar tão perto, embora relativamente longe, decidi viajar mais tarde, enquanto todos da banda partiam para lá mais cedo. Cheguei em ônibus comum às oito da noite. O suficiente para descansar um pouco, jantar e logo sair para o show daquela quinta feira.
Organizadores de eventos tem feito muitos shows misturando estilos musicais e com esta imensa festa em Juiz de Fora, não seria diferente: dividiríamos o palco com o Parangolé, conhecido como rebolation-tion-tion, coqueluche do carnaval baiano e moda no país todo. Era de se esperar que, por serem a atração mais famosa do momento, eles tocassem por último. Não foi o caso, em virtude de um voo que deveriam pegar no dia seguinte. Acontece mesmo. Desta forma, subimos ao palco um pouco tarde, mas o maior problema não era este: tínhamos que mutilar nosso repertório pois, somente então, soubemos que o evento tinha hora para acabar. Foi complicado escolher o que tirar, sem perder a fluência do show. No entanto, conforme fomos tocando, não me perguntem o porquê, mas eu fui informado que não precisaríamos cortar mais nada. Assim pudemos levar o show com todas as músicas que queríamos até o final. Tivemos ainda o auxílio luxuoso de Waguinho, que chegou a fazer alguns shows conosco tocando trompete. No palco, ele tocou Sexta-Feira, Chove Chuva, Tédio entre outras. Fechamos a festa tarde mas com a galera disposta a acordar tarde no dia seguinte. Foi um prazer atender a todos que nos receberam naquela noite. Há tempos devíamos um show assim em Juiz de Fora. Tal como a estrada que a liga ao Rio, me senti em casa.

Barbacena e as lembranças

domingo, maio 16th, 2010

Barbacena é uma destas cidades de Minas que sempre nos recebeu de braços abertos tanto nos momentos de maior exposição quanto naqueles de total ostracismo. Seu público fiel lotou o parque de exposições para nos assistir mais uma vez. O frio que fazia era intenso. Incrível ter que dizer isto mas ontem no Paraná estava mais quente! Agasalhadíssimos, pisamos no palco e prometi que ao final a galera até tiraria o casaco de tanto suar pulando e cantando conosco. Dito e feito, muitos fizeram, assim como eu: foram fazendo um striptease recatado e eufórico. Olhando aquele mar de gente, me lembrei de momentos incríveis que passamos. Uma vez, na Festa das Flores, década de 90, o palco tinha uma passarela enorme à nossa frente. Só então vinha o cordão de isolamento e finalmente o público. Estavam tão longe que pedi para deixar o público mais perto da gente. Os policiais não queriam, mas acabaram liberando. Acontece que um grupo pequeno acabou o show todo subindo na passarela, desafiando os seguranças. Acabaram destruindo tudo e no final, acreditem, ficamos ali, nós mesmos, reconstruindo tudo, ou do contrário não sairíamos! Na época ficamos loucos de raiva, mas hoje rimos disso tudo. Também foi em Barbacena que fizemos o show no dia 11 de Outubro de 96, dia em que Renato Russo morreu. Para homenagea-lo, cantamos Por Enquanto: “se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre; sem saber que o pra sempre, sempre acaba”. Foi difícil segurar as lágrimas e a voz embargada. Outros shows vieram depois disso. Um deles, memorável, com o Pato Fu em que os vi tocar pela primeira vez a deliciosa “Acredoce”. E tudo isso mexeu comigo durante o show que fizemos nesta noite. Na primeira fila, um dos fãs mais antigos da banda exibia um cartaz nos parabenizando pelos 25 anos. Obrigado, Leo. Obrigado a todos e cada lembrança que tenho é guardada com carinho dentro do peito. Fãs nos enviaram rosas e, confesso, me senti um “Roberto Carlos” atirando uma a uma para eles ao final do show. Foi engraçado. Assim como nos camarins quando fui autografar um papel para uma menina chamada Cíntia. “Cintia com TH?”, perguntei. “Não, sou daqui de Barbacena mesmo”. Certamente ela não me ouviu direito e achou que estava perguntando se ela era uma Cíntia de BH. Voltando pro Hotel, ficamos rindo um tempão do mal entendido.

Dois shows no interior do Paraná

domingo, maio 16th, 2010

De volta a Cascavel e Toledo. Duas cidades com um ótimo astral. Viagem tranquila. Uma volta à duas casas de shows que nos receberam muito bem no ano passado. Começamos na quinta no Square Bar. A casa é ótima mas o palco é muito, muito alto. É estranho tocar assim com todo mundo de torcicolo, olhando quase para o teto. Ainda assim, conseguimos ter uma troca muito grande uma vez que o acesso ao palco era fácil por uma escada ao lado. Após o show, nos dirigimos para o camarim a poucos metros da casa principal. Fazia frio. Chegamos na porta e estava trancada. Com quem está a chave? Com você? Não, tá com ele? Eu ? Não, comigo não está! BRRRRRR, que frio, com quem está esta @%@#$@# desta chave? Ih, acho que caiu no chão no caminho! Ah, que lindo, uma chave caída no estacionamento, coisa fácil de achar! Por sorte, acabamos achando num bolso perdido da calça do produtor. Descansamos bem e seguimos pra Toledo somente no começo da tarde.
O show em Toledo foi no Empório Stª Maria. Palco baixo, colado ao público. Não deu outra. O show foi bem mais quente. Quente até demais. Um holofote sobre minha cabeça só faltou queimar meus miolos! A participação do público foi muito boa, tão boa quanto no dia anterior. A diferença se fez mesmo pela proximidade do público conosco. Acordar Pra Sempre com você foi bem cantado, confirmando a boa fase da música na região. Saímos em seguida para Foz do Iguaçú para pegar o vôo pro Rio. Próximo destino: Minas Gerais!

Bonito, Rio Bonito!

quinta-feira, maio 13th, 2010

A chuva desempenhou um papel curioso neste show de Rio Bonito. O parque estava cheio e o show transcorria normalmente mas sem um entusiasmo aparente. Claramente víamos a galera cantar mas eles assistiam mais que participavam. Estava tudo ok, ótima infra estrutura, som, luz, mas faltava um ‘algo a mais’. E veio com a chuva. Dispersou uma boa parte da galera enquanto nós, secos, continuávamos a tocar. Vimos o temporal apertar e quase ninguém ficar na frente do palco.
Foi então que decidi antecipar Chove Chuva. Deu certo. A galera voltou para dançar tomando banho de chuva e se contaminou com o vírus do Biquini. Fomos tocando sem parar uma atrás da outra e foi como se tivéssemos tocado para dois públicos distintos. Era bem menos gente, claro, mas estes passaram na peneira, deixando de fora os curiosos, os funkeiros e os desanimados. Com a nata do rock nas mãos, o show da metade pro fim foi intenso e bem mais animado. Atendemos muitos ensopados nos camarins e seguimos debaixo da mesma chuva para casa. Ao terminar o show, só deu pra dizer: Bonito, Rio Bonito!

Mais uma nova cidade: Sanclerlândia!

quinta-feira, maio 13th, 2010

A oportunidade que estamos tendo de conhecer o país nos faz descobrir novas cidades a cada viagem. Descobri recentemente que o Brasil tem em torno de cinco mil municípios. Se já tocamos em mais de quinhentos, isto quer dizer que de cada dez cidades do Brasil, uma eu já conheci. Que incrível! E que país lindo nós temos. Que diversidade! Um dia num igarapé, outro numa praia virgem, um dia no cerrado e outro numa vila encravada numa montanha. Sanclerlândia não é nada disso e ao mesmo temo tem tudo que a define como uma cidade brasileira. Fiquei hospedado em um hotel sobre um posto de gasolina e acompanhei o ir e vir de carretas pela estrada. A cidade, simples, nos recebeu com bastante carinho e hospitalidade. Eu subi ao palco e fui avisado que o que não faltava eram problemas de som. Não seria nem a primeira nem a última. O show foi interessante pois para a grande maioria era a primeira vez que nos viam. É o que chamamos “show da descoberta”. A galera começa meio parada, assistindo mais que dançando, mas acabam se soltando e cantando muito do meio pro final. A arena estava cheia. Estaria mais provavelmente se tivesse um show sertanejo, mas ficamos felizes com a iniciativa da prefeitura em nos chamar e diversificar. Foi uma ótima oportunidade para nós e para o público de nos conhecermos. Que encontros assim sempre ocorram

Mossoró e o Bruno errado

quinta-feira, maio 13th, 2010

Uma viagem corrida para Mossoró. Saída à francesa de Guarapuava-PR; mal conseguimos atender os fãs que nos esperavam mas se ficássemos um pouco mais, perderíamos o voo. Sempre viajamos com uma certa margem de segurança. Vai que, toc toc toc, bate na madeira, o ônibus pifa no meio do caminho, temos que ter tempo de pensar num plano B. Ok, planos B não existem no meio de uma madrugada fria e com cerração a caminho de Curitiba, se algo de errado acontecesse. Mas fomos seguindo nosso planejamento e chegamos a tempo. Um voo para São Paulo, conexão e mais 3 horas para Fortaleza. Ao chegarmos lá, uma surpresa. Um coro histérico nos aguardava. Gritos de “Bruno, Bruno” e tudo que pensei foi: “Não pode ser pra gente”. De fato não era. Desembarcando conosco estava a banda Cine, cujo baixista se chama Bruno. E foi assim, com meu nome sendo gritado aos berros que saí do desembarque. Foi muito engraçado, pois os próprios fãs do Cine me olharam como se tivessem pensado: “ei não foi este Bruno que pedimos para aparecer, gênio da lâmpada!”. Falei pra alguém da equipe técnica deles: nunca foi tão fácil desembarcar. De longe assisti o alvoroço e calmamente seguimos pro ônibus por mais 3 horas.
Ao chegarmos em Mossoró já era noite, estávamos cansados de tanta viagem mas ainda deu tempo de atendermos os fãs que nos aguardaram por toda tarde. Mais de dez mil pessoas aguardavam pelo show. Palco alto daqueles que me impede de descer mas que também me propicia uma vista incrível do local. Gente que veio e Natal, de Areia Branca, do Ceará e até da Paraíba. O show foi divertidíssimo e, desta vez, não choveu como na semana passada em Fortaleza. Já tinha gente me dizendo que eu era o causador das chuvas, ora!
No final do show, falei sobre o fato de Mossoró tem sido a cidade que expulsou Lampião. Ladrão aqui não entra, diziam na época. Aproveitando este mote, falei um pouco sobre como este exemplo poderia ser repetido 80 anos depois por todos nós, elegendo gente descente, não reelegendo patifes, tirando o emprego de parlamentares sanguessugas. O recado está dado e achei legal começar a falar nisso numa terra que soube expulsar gente que não era bem vinda!
Nossa volta estava marcada para bem cedo. Portanto, mais uma vez, a saída foi bem corrida do hotel. Uma pausa rápida para arrumar a mala e seguir. O problema foi que os carros estacionados desordenadamente pelo local do show acabaram por nos fechar. Foi um parto para conseguirmos escapulir do estacionamento com aquele ônibus. Por sorte, tudo deu certo e regressamos ao Rio tranqüilos.

Guarapuava 40 graus

sábado, maio 1st, 2010

Não que tenha feito tanto calor. Pelo contrário, uma frente fria chegou conosco na cidade e a chuva foi constante na véspera de nosso show. O título é mais uma brincadeira com o outro post que fiz aqui no blog, quando tocamos no Pharol Club numa noite fria de um grau centígrado. Desta vez, comprovamos o calor da turma que encheu a casa e que nos fez perder a noção do tempo numa noite em que precisávamos sair o quanto antes para não perder nosso único vôo partindo de Curitiba para Fortaleza. Por conta disso, reforçamos a divulgação do horário antecipado de meia noite no palco. Não tínhamos outra escolha. Ainda assim, não cumprimos o prometido e esperamos mais dez minutos, tempo suficiente para a maioria das pessoas entrar no recinto.
Palco baixo, música alta e muita, mas muita animação. O show teve momentos singulares. Ao pedir que todos se abaixassem, uma menina ficou de pé, quase na minha frente. Ela tinha motivos para isto: estava grávida de sete meses. Não resisti e bati palmas, desci do palco e beijei aquela barriga. Descobri com o casal no camarim, que ela está esperando uma menina de nome Sabrina. Que coincidência. Em breve serei tio de uma Sabrina também. Entrei no ônibus após atender os fãs e seguimos madrugada adentro, aquecidos pela acolhida no Paraná.

O Susto e A Queda em União da Vitória

quinta-feira, abril 22nd, 2010

A segunda feira foi tranquila em Porto Alegre, se compararmos com a gincana para chegar à cidade no domingo, onde estivemos presente na festa do Diário Gaúcho. Foi um dia perambulando pelas rádios e terminando com um ótimo jantar com a galera do Nenhum de Nós. Seguimos em um voo para Curitiba e mais algumas horas de viagem até Porto União. A casa onde tocaríamos nos havia recebido em janeiro de 2008. O palco era pequeno e foi construído uma espécie de “puxadinho”. Entre o final do palco e o público ficavam as caixas de sobgrave, que serviam para amparar os retornos de voz. Entre estas caixas e o palco tinha um vão. Nossos roadies trataram de avisar logo: cuidado com o vão entre o palco e as caixas! Como se eles soubessem o que estava por vir…..
O show foi bom e o público todo cantou a nova música. É legal ver isto. Eu não estava muito bem da voz, fruto ainda da chuva de Fortaleza e da maratona em Porto Alegre no domingo. De todo modo, o show transcorreu bem e a galera estava muito receptiva. Quando terminamos o show, veio o bis e, na hora de Chove Chuva, eu peguei uma garrafinha d’água para jogar no público.
Não me lembrei do vão. Só deu tempo de sentir a queda. Amparei parte dela com o osso da bacia direita. enquanto a perna esquerda desistia de tentar evitar o mergulho. A sorte que dei (e foram várias) começou com o fato do palco ser baixo. Eu caí de uma altura inferior a um metro e meio. Além disso, não havia nenhum objeto cortante naquele vão. Nada que pudesse me fraturar, torcer o pé, ou mesmo cortar. Só ouvi os gritos e avisei a todos que estava bem. Demorei um pouco para retornar ao palco, pois queria ter certeza que não havia acontecido nada. Enquanto isso, a música não parou. Bem humorado, cantei: “hoje eu vou fazer uma prece, pra Deus, Dinho Ouro Preto!”. Inevitável pender nele diante de uma queda no palco. Por sorte não me machuquei. Tratei de descansar bastante ao chegar no hotel e, apesar de ter acordado todo doído, a queda não teve maiores conseqüências. E se lembram das meninas que conheci em Porto União?
Ambas estão lindas e a Luisa, que pinta com os pés, me presenteou com um lindo quadro. Olhem o trabalho dela, que lindo que é! Ver seu desenvolvimento já é um grande presente! E, vendo tudo isso, quem vai pensar em tombo, o quê!

As homenagens de Fortaleza

domingo, abril 18th, 2010

Nosso vôo atrasou e chegamos quase uma hora depois do previsto em Fortaleza. Ainda assim, conseguimos marcar presença em todos os eventos marcados. Em cada lugar, fomos homenageados pelos 25 anos. No Sábado Alegre da TV Diário, o apresentador Will passou a limpo nossa história. Na rádio Cidade, não faltaram elogios rasgados, assim como na Fortal FM. Fãs uniformizados ou não nos receberam com carinho no aeroporto e a D&E, produtora do Ceará Music, em conjunto com o fã clube Soul Biquini nos recepcionaram no hotel com direito a bolo, placa comemorativa, presentes e muito mais.
O discurso de Roderic (sim, ele que cantou no DVD de Fortaleza) foi simples e, no entanto, muito tocante ao nos retratar como alguém da família, alguém que faz cada pessoa nos querer um bem. E é isto que sentimos mesmo. Este carinho em cada esquina desta cidade que já faz parte da história da banda. Ou, como um fã gritou: a banda brasileira mais cearense que existe!
A noite foi especialíssima. O Soul Pop abriu a festa gravando seu primeiro DVD. E, tal como nós em 2004, tiveram que enfrentar a chuva como coadjuvante. Não pude assistir mas tenho certeza que eles mandaram bem e vou conferir tudo no DVD quando sair.
Logo chegou nossa vez. Tivemos uma pequena trégua dada por São Pedro. Acordar Pra Sempre Com Você foi cantada a plenos pulmões pela galera e isto foi só o começo. Como numa viagem pelo tempo, revimos nossos momentos principais nesta história. Cada música me fez lembrar um Ceará Music diferente. Excepcionalmente, tocamos Toda Forma de Poder, em homenagem ao clipe gravado em 2002 às sete da manhã. E foi uma catarse!
Deixamos também nosso recado a tudo que está acontecendo no país e no mundo: em meio a tantas calamidades, o precisamos ver que de todas as guerras que a humanidade enfrentou, todos já deveriam saber o que vai acontecer se lutarmos contra a Natureza.
Em determinado momento propus um pacto ao público: tocarmos mais 25 anos contanto que eles venham conosco. E tragam seus filhos e até netos ;-)
O show acabava com Tédio e ao som de Trem das Onze, de Adoniram Barbosa, avisamos que não poderíamos ficar, sentíamos muito.
Saímos do palco com a multidão cantando Parabéns pra Você. Voltamos logo, pois a chuva apertou e o bis exigia Chove Chuva. Não era mais preciso jogar baldes na galera. São Pedro providenciou um toró capaz de ensopar todo mundo. Se tivesse combinado com ele nào teria sido tão perfeito. Suados, ensopados, cansados e extasiados, saímos do palco com a certeza que 25 anos ainda é muito pouco. Precisaremos de pelos menos mais 25 para retribuir este carinho.